Londrina - Estudantes que fizeram a prova do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) ontem mostraram que, mesmo depois de sete anos de tradição, a aplicação da prova ainda divide opiniões. Nesta edição, 376 mil universitários que estão em fase de conclusão de curso foram convocados para o exame, que é condição obrigatória para a retirada dos diplomas.
O Inep informou que em Londrina 2.018 alunos estavam inscritos. Para o estudante de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Bruno Rostirolla, a avaliação é ''superficial''. ''Os números do resultado do exame não indicam a real situação do curso. Deveriam ser abordados outros métodos de avaliação além deste, de forma mais contínua'', afirmou.
Rostirolla, que realizou o exame no Instituto de Educação Estadual de Londrina (Ieel), relatou que, em uma das salas, houve protestos contra as provas. ''Um dos estudantes rasgou a prova e saiu da sala reclamando da avaliação'', disse.
Já a aluna de Pedagogia, Talita Ferreira - também da UEL - afirmou que houve falhas na segurança do exame. ''Nas salas o controle foi muito fraco. Quem quizesse poderia conversar durante a prova. E também não tinha acompanhamento dos alunos para ir até o banheiro'', declarou.
De acordo com o aluno de Tecnologia em Alimentos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Leonardo Guerreiro, o conteúdo das provas é valido, mas ainda aborda os temas de forma muito ''básica''. ''Foram perguntas de nível básico. Ninguém se sente motivado a fazer as provas. Até porque o resultado demora muito a ser divulgado. Eu ainda não sei qual foi o resultado de quando eu entrei no curso'', afirma.
A estudante de Filosofia da UEL, Caroline Umezu, disse que não realizou o exame pensando somente na avaliação do curso. Para ela, o teste serviu como ''treino para concursos''. ''Com são questões voltadas para a minha área eu acho que é uma forma bacana de conhecimento, até pensando em concursos'', afirmou. Segundo a universitária, o Enade não pode ser levado em conta como ''única forma de avaliar um curso superior''. ''Se a nota for boa, tudo bem. Mas se for ruim, isso não deve significar que o curso é ruim. Muita gente boicota o exame.''
Cerca de oito mil cursos de graduação oferecidos por instituições de educação superior públicas e privadas foram avaliados. A novidade deste ano é que apenas estudantes que estão concluindo os cursos foram selecionados. A partir de agora os ingressantes estão dispensados e serão avaliados com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Componente curricular obrigatório, o Enade integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), instituído pela Lei 10.861/04, e tem como objetivo avaliar o curso por meio do desempenho dos alunos com relação aos conteúdos desenvolvidos durante a graduação. Os estudantes inscritos pela instituição de educação superior que não compareceram ao exame ficam em situação irregular junto ao Enade e também impedidos de colar grau.
Até o fechamento da edição o Inep não havia divulgado o boletim oficial sobre o exame. (Com Agência Brasil).

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