Empurroterapia privilegia similares
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Na procura por medicamentos mais baratos, consumidores brasileiros podem estar utilizando remédios não adequados para o seu tratamento. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), feita no ano passado, mostrou que 34% dos balconistas de farmácias entrevistados oferecem medicamentos diferentes dos prescritos pelos médicos. A maior parte dessas indicações são de similares. Entre equilibrar o orçamento doméstico e seguir as orientações médicas, o consumidor, que muitas vezes não sabe a diferença entre o medicamento de marca, o genérico e o similar, fica refém de práticas enganosas.
A diretora executiva da Pró Genéricos, Vera Valente, explica que os similares só podem ser vendidos sob prescrição médica. Os genéricos, ao contrário, por terem obrigatoriamente testes de bioequivalência e biodisponibilidade, podem ser indicados pelos balconistas sem que haja prescrição médica. Por isso, a pesquisa será encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que o Ministério da Saúde tome as devidas providências.
A intenção da Pró Genéricos é engendrar ações em conjunto com a Anvisa, para o esclarecimento do público em geral sobre a diferenciação entre medicamentos de referência, aqueles pesquisados e desenvolvidos pela indústria farmacêutica; os genéricos, que são cópias deles; e os similares, que não são obrigados a ter semelhança com qualquer um dos dois anteriores.
A dona de casa Sara Patrícia Bottine, 27 anos, de Londrina, se considera uma consumidora atenta. ''Me preocupo com o preço e com a qualidade do medicamento, por isso já peço para o médico receitar o genérico'', disse. A vendedora Gislaine Novaski, 23 anos, e o contador José Roberto Franco, 35 anos, também buscam pelo genérico pela opção de um medicamento mais barato. ''A gente sempre pede pelo genérico, mas se certifica com o farmacêutico que é a mesma fórmula do remédio receitado'', ressaltou Gislaine.
A pesquisa, encomendada ao instituto Ipsos Opinion, foi realizada em outubro do ano passado com 1250 pessoas da área médica, de farmácias e do público consumidor. Foram entrevistados 250 balconistas de farmácias independentes de redes, que representam 78,47% das vendas de medicamentos no País. A Pró Genéricos reúne 11 laboratórios desse segmento farmacêutico, que representam 90% do mercado de genéricos em valor e 9% da receita farmacêutica total, o que inclui drogas de referência, similares, genéricos e medicamentos de venda livre. (Com Agência Estado)


