Empresas voltam a procurar executivos, de olho no mercado externo
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 7 (AE) - A procura por executivos das áreas comercial e financeira aumentou em março, principalmente nas grandes cidades das regiões Sul e Sudeste do País. As empresas começaram a contratar profissionais qualificados e que tivessem, entre outras características, experiências na área de exportação e importação.
"As empresas voltaram a procurar executivos assim que tiveram uma visão do horizonte econômico do País", avalia Ana Maria Cadavez, gerente de Recursos Humanos da Consultoria KPMG. Ela explicou que as empresas mais organizadas vislumbraram oportunidades de negócios com a desvalorização cambial e passaram imediatamente a requisitar profissionais com experiência em comércio exterior e finanças.
O prazo de contratação caiu de uma média de 15 dias para sete dias. Até o ano passado, executivos de telecomunicações e informática lideravam o ranking de "procurados".
O sócio-presidente da multinacional alemã Roland Berger, Gunter Keseberg, observou que muitas empresas paralisaram seus projetos em janeiro e fevereiro e só o retomaram em março, diante da melhora das expectativas econômicas. Ele revelou que sua empresa, especializada em consultoria e "executive search"
conseguiu colocar no mês passado seis executivos, sendo quatro de média gerência e dois de alta gerência. Em fevereiro, foram apenas três.
A procura é maior por parte das companhias de telecomunicações e indústrias de equipamentos, química e de alta tecnologia, além de bancos e lazer. Os cargos ocupados são principalmente de diretores ou gerentes comerciais e financeiros
mas há demanda também para profissionais da área jurídica e controles.
Os salários oferecidos estão na média de R$ 15 mil mensais, mas podem chegar a R$ 38 mil mensais, como foi o caso da contratação de um diretor-presidente intermediada pela Roland Berger. Keseberg explicou que as remunerações mais altas são em geral para diretores comerciais, cujos ganhos costumam estar vinculados aos resultados obtidos.
Exigências - Se, por um lado, a oferta é maior, por outro está crescendo o grau de exigência dos empregadores. As empresas estão mais rigorosas com relação ao tipo de experiência do candidato, os locais onde trabalhou, idiomas que domina e o envolvimento com o trabalho como um todo.
"As empresas querem o profissional "trabalhador", que não fique pilotando da escrivaninha, mas que conheça todas as áreas da companhia", afirmou Ana Maria.
Outra exigência observada é a capacidade de formar e liderar equipes e de conduzir os relacionamentos humanos em todos os níveis. "O candidato tem que ter habilidade para se relacionar bem com todas as pessoas de seu convívio, sejam clientes, superiores, a comunidade ou subordinados", acrescentou a consultora organizacional Cláudia Lessa, da Price & Coopers Librand, que também trabalha com consultoria de recursos humanos.
Globalização - Outro requisito das empresas, segundo Keseberg, é fluência no tratamento com executivos do exterior e capacidade de lidar com mentalidades diferentes. As empresas pedem ainda profissionais com visão estratégica, conhecimento amplo dos concorrentes, do mercado interno e externo e capacidade de transmitir confiabilidade com relação à qualidade, preços e prazos dos produtos aos futuros clientes.
Keseberg explicou que empresas nacionais estão em busca de profissionais com este perfil a fim de expandir seus negócios para outros países e atender a uma exigência cada vez mais forte imposta pela globalização da economia. "Às vezes um executivo bem-sucedido nas relações com empresas brasileiras não consegue a mesma performance frente a um empresário estrangeiro", revelou.
A desconcentração do mercado de trabalho de executivos do eixo Rio-São Paulo, em função da globalização, pode ser sentida também pela demanda maior de profissionais para outros estados. Segundo Claudia Lessa, da Price & Coopers Librand, as privatizações e reestruturação de diversas empresas são responsáveis por esta nova realidade.
Ela adverte, no entanto, que enfrenta dificuldades em encontrar executivos dispostos a sair de suas cidades e se transferirem para, por exemplo, as regiões Norte e Centro-Oeste. "Chega a surpreender a resistência de alguns profissionais para enfrentar os mercados de fora", afirmou.


