Empresas tendem a investir em ações sociais
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Adriana Chiarini<br>Agência Estado - Do Rio de Janeiro 
O envolvimento das grandes empresas privadas brasileiras em ações sociais tende a crescer, não é apenas moda. É o que mostra a pesquisa ''Bondade ou interesse? Como e por que as empresas atuam na área social'', do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), transformada em livro. Foram entrevistados dirigentes de 47 empresas nas áreas metropolitanas do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Belo Horizonte, 73% delas com mais de 500 empregados.
Mais de 80% das empresas informaram ter perspectivas de expansão do atendimento social, 98% nunca ter interrompido este atendimento e 60% declararam não ter alterado os investimentos sociais mesmo em períodos de dificuldades econômicas.
De acordo com o levantamento, embora as motivações pessoais de espírito humanitário influenciem muito nessas iniciativas, as empresas percebem que os investimentos sociais dão retorno de outras formas. Para 65% das empresas, a ação social melhora muito a imagem da empresa na comunidade e para 50% ela melhora a imagem da empresa com os clientes. A maior parte das empresas (53%) também percebe grande aumento do envolvimento dos funcionários com a missão da empresa, o que aumentaria a produtividade.
Mas 59% acham que as atuações sociais não dão nenhum retorno direto, de aumento de vendas, por exemplo, 82% dizem que a ação social não reduz impostos a pagar. Para 73% das empresas, os incentivos fiscais não são importantes na decisão empresarial de fazer a ação social e 56% das empresas não usaram incentivos fiscais na sua atuação social. As empresas elogiaram os incentivos à cultura, mas criticaram os incentivos às entidades filantrópicas.
''Você pode pegar 1% do IR a pagar (pessoa jurídica) ou 6% (pessoa física), porém a lei obriga a fazer esse depósito antes de calcular o seu imposto. Você tem até 30 de dezembro de um determinado ano para fazer esse depósito e só calcula o seu imposto no ano seguinte'', disse o dirigente de uma empresa do setor farmacêutico, citado na pesquisa, que não dá o nome de nenhuma empresa pesquisada.
A coordenadora-geral da pesquisa, Anna Maria Medeiros Peliano, diz que nos anos 90 movimentos sociais como o da Cidadania contra a Fome e o pela Ética na Política, a proliferação das organizações não- governamentais (ONGs) e o maior debate sobre questões ambientais fizeram crescer na sociedade e nas empresas a idéia de que o Estado sozinho não consegue acabar com a pobreza e empresas privadas também devem participar nisso.
''Não quantificamos pressões externas sobre as empresas, mas a fala dos empresários e dirigentes das empresas é a mesma fala dos movimentos sociais, de que é preciso complementar a ação do Estado, e ter responsabilidade social'', diz Peliano.
O livro cita também estímulos explícitos como a responsabilidade social ser um dos critérios para o Prêmio Nacional de Qualidade e de certificações internacionais. ''Uma série de preparativos vem sendo feita (pela empresa) visando responder à norma internacional SA8000 que, entre outras exigências, avalia se a empresa faz ações sociais, se responde adequadamente às normas ambientais, se respeita as características culturais locais etc.'', diz o representante de uma empresa do setor siderúrgico, em citação no livro.
Essas pressões sociais e exigências de mercado para que as empresas tenham responsabilidade social tendem a se consolidar, segundo a pesquisa. ''O marketing social ainda está começando no Brasil. Só 56% das empresas divulgam sua atuação social e boa parte delas faz questão de não divulgar, algumas por receio de que a demanda cresça demais, além do que a empresa pode atender'', conta Peliano.
Além disso, se iniciar um projeto social melhora a imagem, interromper um projeto social traz desgaste.


