Empresas têm dúvidas sobre licitação para coleta de lixo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de janeiro de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 24 (AE) - A nova licitação para o serviço de coleta e varrição do lixo na cidade de São Paulo ainda provoca dúvidas entre as empresas interessadas em participar da concorrência pública. Hoje 42 empresas apresentaram suas propostas para a habilitação na sede da Secretaria de Serviços e Obras. A expectativa da Prefeitura é de que até maio - mês em que vencem os atuais contratos - todo o processo esteja concluído.
"Todos os dias detectamos várias dúvidas no edital de licitação", disse o gerente administrativo da Julio Simões Transportes e Serviços, Francisco dos Santos. Segundo ele, as dúvidas persistem, apesar dos esclarecimentos da Prefeitura. "As respostas não foram claras e objetivas", diz. Ele lembra, por exemplo, que o capital mínimo exigido das concorrentes pode prejudicar empresas menores.
"Ainda pode haver dúvidas", afirmou a representante da Enterpa, Nilce Aparecida dos Santos. "Mas o processo está sendo tranquilo."Opinião diferente tem o representante de uma empresa que pediu para não ser identificado. Segundo ele, vários itens do edital devem provocar interpretações dúbias entre as várias concorrentes, o que deve acirrar os ânimos nas próximas semanas. Apesar disso, ele lembra que as empresas resolveram entregar suas propostas para não correr o risco de ficar fora da disputa.
O secretário de Serviços e Obras, João Otaviano Machado Neto, disse que todas as dúvidas foram esclarecidas. Ele lembrou que, de acordo com a lei das licitações, qualquer pedido de cancelamento do edital deveria ter sido feito até cinco dias úteis antes da entrega dos envelopes. "Não acho mais válido nenhum tipo de questionamento", afirmou.
Em uma primeira etapa, uma comissão da secretaria irá analisar se todas as empresas estão habilitadas para participar da disputa. Em seguida, se elas terão condições de executar o serviço e, finalmente, escolher as que apresentarem o melhor preço. O novo edital substitui o que foi cancelado pelo prefeito Celso Pitta (PTN) em dezembro do ano passado, após denúncias de irregularidades.
Pelas novas regras, a cidade será dividida em 27 lotes e cada empresa poderá ganhar, no máximo, dois lotes. Com isso, pelo menos 14 empresas devem fazer o serviço atualmente concentrado na mão de quatro. O secretário também prometeu maior rigor na fiscalização do serviço executado pelas novas empresas.


