Empresas substituem dívida em dólar por real
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2000
Por Sandra Gomide e Priscila Murphy 
São Paulo, 19 (AE) - As operações de captação de recursos feitas nas últimas semanas pelas companhias BCP e Light ilustram bem a tendência de aumento do crédito no Brasil.
A BCP, por exemplo, está transformando este ano entre 20% e 25% da sua dívida, antes totalmente externa, em moeda nacional. O diretor de Relações com o Mercado, Renato Friedrich, explicou que antes "os juros eram proibitivos para esse tipo de investimento e não havia oferta nos volumes e prazos necessários". Agora, a situação mudou.
A Light, por sua vez, conseguiu reduzir sua exposição cambial por meio da transformação de parte da dívida em dólar em reais. Segundo Paulo Renato Marques, superintendente de Relações com o Mercado da Light, a exposição ao dólar foi reduzida de 80% para 60%, com custo menor e prazo mais longo.
A empresa tinha uma dívida de US$ 1,5 bilhão em abril, com taxa de juros Libor mais 925 pontos-base e prazo de 12 meses. Com a colocação de debêntures não-conversíveis no mercado interno, a empresa captou dinheiro para amortizar uma parte da dívida em dólar. Aos poucos, a Light foi captando em reais e reduziu o montante do saldo devedor em dólar para US$ 350 milhões.
O alongamento do prazo dos títulos públicos favorece o mercado doméstico em geral. Ou seja, não há ofertas de empréstimos de longo prazo, principalmente porque os títulos públicos - que servem de referência para as operações financeiras - só agora começam a ser lançados com prazos mais longos de resgate. Isso atende empresas do setor de infra-estrutura que, para investir, precisam de financiamentos por períodos maiores.
Do total dos investimentos previstos para este ano, somente cerca de 20% virão do mercado internacional, estimam executivos do mercado. Boa parte será financiada com recursos do BNDES, depois pelo crédito bancário e pelo mercado internos de títulos.
A boa nova para empresas brasileiras que buscam recursos no exterior é o alongamento dos prazos de captação. A Eletropaulo, por exemplo, captou recentemente US$ 250 milhões a uma taxa de juros de 360 pontos-base para resgate em 18 meses.
"Isso mostra que o crédito de longo prazo está voltando para empresas brasileiras", diz Orestes Gonçalves Junior, diretor-executivo e de Relações com Investidores. Com essa operação, a empresa conseguiu ampliar o crédito de 12 para 18 meses, diminuindo o custo de captação.
Apesar do alongamento do prazo, o custo ainda é elevado devido ao risco Brasil, observa o diretor da AGF, Kazuhiro Miyamoto. Mas também nesse ponto, a situação vem melhorando. Hoje, o prêmio cobrado sobre a taxa de juros dos títulos norte-americanos está cerca de 200 pontos-base abaixo em relação ao cobrado no fim de 1999.


