Empresas prometem ajudar pescadores
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os pescadores impedidos de trabalhar por causa do vazamento de óleo do navio VicuÀa vão receber na semana que vem um salário mínimo (R$ 260,00) pago pela armadora do navio, Sociedad Naviera Ultragas, e pela Catallini, dona do terminal marítimo onde o VicuÀa estava ancorado. Nos próximos dias, eles devem receber também o salário mínimo que será repassado pelo governo federal.
Além do dinheiro, os pescadores estão recebendo cerca de 4,4 mil cestas básicas, também doadas pelas duas empresas. Segundo a Defesa Civil, a entrega das cestas deve acabar domingo. Pescadores de Paranaguá, Guaraqueçaba, Antonina, Pontal do Paraná e mais 14 ilhas da região, proibidos de pescar há pouco mais de 15 dias, já estavam começando a ficar sem dinheiro até para a comida.
''A gente já estava passando necessidade, comendo o que tinha ainda em casa, mas sem carne, que não podemos comprar, e sem peixe, que não podemos pescar'', contou o pescador José Carlos Rita, da Ilha das Peças. As cestas básicas chegaram ontem ao local, que tem cerca de 90 pescadores.
José Rita se juntou essa semana ao grupo que está ajudando a limpar a região da ilha, que foi bastante atingida pelo óleo. ''Isso vai ajudar porque eles vão pagar R$ 30,00 por dia. Mas só vão pagar quando completar dez dias de trabalho. Faço parte do segundo grupo. O primeiro já trabalhou dez dias, mas só recebeu uma semana por enquanto. Vamos ver.''
O presidente da Associação de Moradores da Ilha das Peças, Paulo Afonso Teodoro Dias, lembra que muitas famílias de pescadores só não passaram fome nesses últimos dias, antes da chegada da cesta básica, porque a comunidade ajudou uns aos outros.
Dias acha que comerciantes, que também são pescadores, deveriam receber ajuda. ''Os comerciantes, donos de restaurantes, de pousadas não têm do que viver também. Os turistas não estão vindo. Boa parte do comércio está fechado desde o dia 15'', argumentou.
O capitão Maurício Genero, da Defesa Civil, informou que é feita uma triagem das famílias na hora da distribuição das cestas básicas e quando se constata que a família não pode mesmo viver do comércio, o benefício é concedido.
Para ajudar os pescadores nas contas do mês, a Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Paraná enviou ontem um pedido ao governo do Estado para que os isente do pagamento da taxa de luz até que a situação se normalize. ''Já está faltando comida. Ficar no escuro também não dá'', argumenta o presidente da Federação, Edmir Manoel Ferreira.
A captura do caranguejo, que é o ponto forte do trabalho dos pescadores nesta época do ano, vai continuar proibida pelo menos até 16 de janeiro. A caça é permitida anualmente do 1º de dezembro a 15 de março. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os maguezais foram as áreas mais atingidas pelo óleo.
O Ibama informou ontem que desde o acidente 114 animais foram recolhidos pelos ecologistas com problemas fruto do vazamento. Do total, apenas 11 sobreviveram.


