O coordenador da Escola Judicial do TRT-PR, juiz Reginaldo Melhado, afirma que muitas vezes as empresas preferem pagar indenizações trabalhistas a contratar mais funcionários. Um quadro maior de pessoal permitiria que trabalhadores de áreas que fazem atividades repetitivas evitassem problemas de LER/DORT. ''As pausas necessárias implicariam em elevação de custo considerável'', disse.
Melhado, que é juiz da 6Vara do Trabalho de Londrina, relatou o caso de um trabalhador da construção civil que morreu durante o trabalho. Como magistrado, ele determinou na sentença uma indenização de R$ 1 milhão equivalente ao valor dos apartamentos de um andar do prédio que a construtora ergueu. Na época, a empresa alegou que a vida de um funcionário não valia R$ 1 milhão e que não pagaria mais que R$ 60 mil.
A construtora tinha locado uma grua em Londrina. Também contratou uma empreiteira para a montagem do equipamento que já apresentava falhas. ''Não foi um acidente. Foi um homícidio ou, no mínimo, um acidente criminoso'', afirmou.
Para ele, a saída é a sociedade se mobilizar, os sindicatos atuarem na fiscalização da prevenção e a Justiça ser mais rigorosa. O juiz destacou que, neste evento, foi a primeira vez que os magistrados trataram de modo científico a respeito das doenças do trabalho. Conhecimentos que podem ser usados para compor um raciocínio para a decisão judicial uma sentença justa.(A.B.)

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