São Paulo, 12 (AE) - Pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo junto a 2 mil empresas de manufatura constatou que as companhias preferem atrasar o pagamento de impostos a compromissos bancários. Os resultados da pesquisa surpreenderam o coordenador do Grupo dos Passivos Financeiros da Fiesp/Ciesp, José Augusto Corrêa, empresário do setor de ferramentas e professor da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo.
Metade das 503 respostas enviadas -67% são micro e pequenas indústrias, 26% médias e 7% grandes- trabalha longe dos bancos, sendo que mais 14% usam os serviços bancários raramente. Dos empresários que costumam utilizar serviços bancários, 84,5% declaram-se em dia, 3% estão renegociando, apenas 2,4% são inadimplentes e 1,6% estão com garantias em execução. Corrêa observa que a maioria fica em dia, "preferindo atrasar impostos a ter que deixar de pagar as promissórias".
Estudo realizado pelo Grupo de Assuntos Fiscais da Fiesp/Ciesp (Grafis) revela que 80% das empresas paulistas possuem alguma pendência fiscal, seja no âmbito federal ou estadual. Elas integram a incomoda lista de devedores no Cadastro Informativo dos Créditos Não-quitados (Cadin), ficando em desvantagem na hora de conseguir financiamentos em bancos oficiais.
Para liquidar um tributo federal, as empresas devem pagar 20% de multa e caso necessário utilizar financiamentos bancários com juros de 40% ao ano e 30 meses para pagar. O estudo aponta para a necessidade de redução no percentual das multas, juros compatíveis e maior prazo para pagamento.
Crédito - Antonio Carlos de Lauro Castrucci, presidente da Associação Brasileira dos Bancos Comerciais e Múltiplos (ABBC), diz que os bancos devem manter contraído o mercado de crédito mesmo após a redução no compulsório sobre depósitos a prazo de 25% para 20%.
O banqueiro afirma que a economia não recomenda expansão de crédito, pois os juros continuam altos e há o temor da inadimplência. Os bancos mantêm tendência de cautela na concessão de crédito. Levantamento da Virtual Vendor Consulting com base nos dados do Banco Central mostra que a alta nos juros em fevereiro de 1999 para evitar a maxidesvalorização cambial nos preços provocou uma "trava" nos volumes de crédito.
O resultado é uma queda geral de 32,8% no volume de empréstimos em maio em 1999 em relação ao mesmo mês do ano anterior. O volume de financiamentos para pessoas jurídicas declinou nada menos que 40,5% em maio de 1999 em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda de volume de recursos para empresas ocorreu principalmente nas linhas de comércio exterior e captação internacional. A inadimplência alta segurou também os empréstimos para pessoas físicas que diminuiu 10,53% na mesma época.

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