Brasília, 06 (AE) - As empresas brasileiras poderão usar a Estação Espacial Internacional (ISS) - um megaprojeto dirigido pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) que envolve 16 países, incluindo o Brasil - para realizar pesquisas científicas e tecnológicas. Além disso, o País poderá ampliar as pesquisas na área ambiental, biotecnológica, de biologia gravitacional, médicas e sobre o comportamento de doenças no ser humano, no espaço que dispõe na ISS, sempre usando tecnologia de ponta.
A garantia foi dada hoje pelo encarregado de Relações Internacionais da Nasa, John David Schumacher, que reuniu-se com o presidente da Agência Especial Brasileira (AEB), Luiz Gylvan Meira. A estação custará US$ 45 bilhões aos países envolvidos no projeto, com um custo operacional de US$ 1,4 bilhão ao ano. Schumacher veio Brasil rediscutir a participação brasileira na ISS, que tem espaço interno quatro vezes superior ao da estação russa MIR. Segundo ele, a tecnologia disponível na estação espacial já vendo sendo utilizada por cientistas brasileiros.
Ele explicou que os pesquisadores brasileiros estão realizando trabalhos sobre doenças tropicais e a Doença de Chagas. O País poderá desenvolver estudos de novos medicamentos, inclusive que retardam o envelhecimento. Tudo isso, segundo o dirigente da Nasa, será feito em parcerias com os demais países que integram o projeto da ISS. Investimentos - Além de investir R$ 120 milhões no projeto, o Brasil também é responsável pelo fornecimento de equipamentos para a construção de módulos da ISS, os chamados Express Pallet. Segundo Schumacher, esses pallet - num total de quatro - são essenciais na estação porque serão usados no transporte de peças e equipamentos da ISS. A parcela de investimentos brasileiros na estação foi anunciado semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com Schumacher, a decisão do governo brasileiro assegura a continuidade de outras iniciativas conjuntas com a Nasa.
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Gylvan Meira, explicou que a participação do Brasil é de extrema importância para o setor industrial do País, que será beneficiado com a capacitação tecnológica e a geração de empregos. "Além disso, o País poderá utilizar tecnologia de ponta para realizar pesquisas nas mais diversas áreas", lembrou. Além disso, a comunidade científica brasileira terá garantido acesso ao laboratório no espaço por, no mínimo, dez anos.
Gylvan Meira explicou também que o Brasil poderá, nos próximos meses, indicar outros brasileiros para compor a tripulação da estação que será de sete astronautas. O major Marcos Cesar Pontes, que está nos Estados Unidos, é o primeiro astronauta brasileiro aprovado pela Nasa. Cada astronauta poderá ficar de quatro a seis meses na estação espacial.

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