Londrina - O lançamento de poluentes na atmosfera vem tirando o sossego de moradores das regiões Leste e Sul de Londrina. O problema é o mau cheiro que toma conta das vizinhanças.
Amauricéia de Almeida não larga o lenço por onde anda. Ela é alérgica e o odor expelido pela empresa Sonoco do Brasil, especializada em reciclagem de papel, provoca irritação nas vias respiratórias da vendedora. ''Tampa a respiração, ataca a garganta'', reclamou.
Ela mora há quatro anos na Vila Yara (Leste) e tem um filho pequeno com o mesmo problema. ''Quando chega a noite o cheiro é muito forte. Ele tem crises e dificuldade para respirar. Sou obrigada a usar inalador nele a noite inteira'', contou.
A vizinha dela, Helena da Costa, mora há mais de 20 anos no bairro e reclamou que os odores se intensificaram nos últimos meses. ''Dá nojo. Não chamo visita para minha casa porque tenho vergonha do mau cheiro'', lamentou.
Em frente a casa delas, pilhas de papéis e papelões se acumulam no pátio da Sonoco. A empresa recicla 4 mil toneladas de papel em Londrina e emprega 370 pessoas de forma direta e indireta. A companhia foi procurada, mas nenhum responsável quis conceder entrevista. Informou apenas por meio de nota que tem ciência dos odores e relata que o cheiro é provocado pela ''decomposição de resíduos orgânicos encontrados nos materiais a serem reciclados, mais comunente, restos lácteos, sucos e massa de tomate, cujos processos de decomposição consomem oxigênio e liberam odores.''
A empresa informa que todo o processo feito ''segue a legislação ambiental vigente'' e que a aplicação de novos métodos dependem de licenciamentos dos órgãos competentes.
Problema semelhante vem sendo enfrentado por moradores do Conjunto Cafezal IV (Zona Sul). O mau cheiro vem incomodando a população durante a noite. ''Dá mal-estar, dor de cabeça e ânsia. É horrível'', reclamou a auxiliar de serviços gerais Maria Izabel Alves, que recorre ao ventilador e umidificação nos cômodos da casa para amenizar o odor. ''Venho colocando toalhas nas janelas e ligando o ventilador senão não dá para dormir'', ressaltou.
O caso foi repassado à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), que suspeita de emissão de poluentes de cinco empresas instaladas na região. As fiscalizações foram iniciadas semana passada, algumas foram visitadas mais de uma vez, e irregularidades foram constatadas. ''Não gostei do que vi'', afirmou o secretário Gilmar Domingues Pereira.
Ele não confirma quais irregularidades foram encontradas. A Sema já notificou as empresas e solicitou a apresentação de todos os licenciamentos até a próxima semana. ''Além disso estamos revisandos todos os termos de ajustamento de conduta assinados com essas empresas nos últimos anos. Se foram pedidas adequações e elas não cumpriram, serão multadas'', ressaltou.
A Sema pretende concluir a análise dessas documentações em 15 dias e então realizar nova fiscalização nas empresas. Não estão descartadas coletas de amostras para comprovar possível emissão de poluente na atmosfera e córregos da região. Segundo o Código de Posturas do Município, se constatada a poluição, a multa pode chegar a R$ 100 milhões.

mockup