São Paulo, 28 (AE) - A paralisação dos caminhoneiros atingiu também as centrais de abastecimento de verduras, frutas e produtos de granja estaduais (Ceasas), redes de supermercados e postos de gasolina. Na Ceasa de São Paulo, o maior centro distribuidor de produtos in natura da América Latina, somente 30% das 9 mil toneladas que entram diariamente chegaram aos boxes dos atacadistas. Por conta disso, segundo o presidente do Sindicato dos Permissionários, Cláudio Ambrósio, os preços dispararam.
Em Vitória da Conquista, na Bahia, o comerciante Iranildo Rebouças, reclamava muito hoje. "Estão abusando: o carregamento de banana custava R$ 12,00, passou para R$ 15,00 e agora estão pedindo R$ 20,00."
O presidente da Ceasa-Campinas, Sergio Pupo Nogueira Júnior, disse que o bloqueio nas estradas provocou queda de 70% no volume de negócios. Segundo ele, o entreposto, que movimenta cerca de R$ 1 milhão por dia, registrou hoje apenas R$ 300 mil.
No Grupo Pão de Açúcar, o segundo maior varejista do País, com enorme centro de distribuição em Osasco, na Grande São Paulo, mais de 40% do abastecimento diário deixou de ser feito hoje. Na linha de verduras e legumes - em torno de 1 mil toneladas que passam diariamente pela central da companhia, sem contar outro volume substancial vai diretamente das roças para as lojas -, o grupo tem recebido parte das verduras do cinturão verde paulista, mas o mesmo não ocorre com frutas e legumes - provenientes de outros Estados.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Citrus (Abecitrus), Ademerval Garcia, disse que a greve dos caminhoneiros reduziu em 35% a produção de suco de laranja da indústria e levou à dispensa de 1.200 pessoas na colheita de frutas. Segundo ele, se a greve permanecer até sexta-feira, todo o processo de sucos de laranja em São Paulo será interrompido.
A greve paralisou totalmente duas fábricas da Volkswagen e uma terceira teve a produção reduzida. Por falta de autopeças, que não foram entregues, a fábrica em São Carlos, que faz motores para os modelos Gol e Golf, suspendeu suas atividades e os 600 funcionários da empresa passaram o dia sem trabalhar. Deixaram de ser produzidos 1.800 automóveis, 60 caminhões e 2 mil motores. A fábrica de Resende (RJ), que produz caminhões e chassis para ônibus, paralisou a linha de montagem e a de Taubaté - que produz Gol e Parati - a produção caiu de 970 veículos para 500. No Rio Grande do Sul, a Frangosul reduziu de 300 mil para 80 mil o número de aves abatidas e a Companhia Minuano de Alimentos paralisou a produção diária de 40 mil frangos.

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