São Paulo, 19 (AE) O consumidor deverá sentir no curto prazo os repasses de custos provocados pela desvalorização cambial, pelo aumento preço do petróleo, pela alta das tarifas e impostos. Dois terços das empresas da indústria, comércio e agropecuária pretendem aumentar, em média, 6,7% seus preços nos próximos 12 meses. A maior parte dos reajustes deve ocorrer neste trimestre (20,4%) e nos três primeiros meses do ano que vem (19,9%), revela a 12ª Pesquisa Conjuntural Bicbanco, que consultou 210 empresas neste mês.
"Deve acontecer um movimento de repasse para os preços, mas nada que comprometa a meta de inflação para o próximo ano, isso se o câmbio não explodir", diz o economista-chefe do Bicbanco, Luiz Rabi Jr. Ele, que com o diretor-financeiro da instuição, Paulo Mallmann, coordenaram a pesquisa, pondera que as informações foram coletas antes do último repique do câmbio, quando o dólar estava cotado a R$ 1,95.
De acordo com Rabi Jr., concluiu-se que o impacto médio nos preços será de 6,7%, levando-se em conta que o aumento médio planejado é 10,2% e que 66,2% das empresas declararam que têm intenção de reajustar seus produtos.
Outro dado relevante é que, pela primeira vez em três anos, a enquete indica que as empresas estão dispostas a ampliar o quadro de funcionários. No próximo ano, 24,8% das companhias informaram que pretendem contratrar, enquanto a minoria (13,3%) planeja diminuir o número de postos de trabalho. O incremento no emprego será de 0,7%, segundo estimativas do Bicbanco. Os setores que puxarão o aumento do número de postos de trabalho serão a indústria de bens de consumo durável e não-durável, o comércio atacadista e a agropecuária.
Crescimento - Apesar de o governo estar calculando um acréscimo de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) para o ano que vem, o crescimento real, descontada a inflação de 6%, será de 2 65%, segundo as companhias consultadas. A exportação é outro ponto importante, diz Rabi Jr., destacando que a pesquisa revela que a receita cambial poderá crescer 14,4% no ano que vem. Cerca 84,8% das empresas que exportam declararam que pretendem vender mais no exterior no ano 2000, levando em conta o câmbio mínimo de US$ 1,90 para concretizar suas metas.
Já as importações, devem recuar 1,3%, com a maioria das empresas informando que pretendem cortar compras no exterior. Com isso, o resultado das exportações menos as importações poderá atingir US$ 6,4 Bilhões no ano que vem.
Para o Natal, o quadro também é favorável, com 34,1% das empresas calculando que vão vender mais neste fim ano na comparação com 1998 e 47,8% esperando repetir o desempenho do ano passado. Apenas 18% declararam que vão ter queda nas vendas.

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