As grandes transportadoras brasileiras gastam cerca de 10% de seu faturamento bruto para compensar a deficiência do Estado em oferecer segurança. Esse dinheiro, de cujo montante não há estimativa disponível, é gasto em seguro, vigilância nos depósitos, escolta dos caminhões nas estradas e até rastreamento por satélite.
O risco crescente fez reduzir o número de empresas no ramo. Das 134 seguradoras brasileiras, apenas seis ainda aceitam apólices de cargas, mesmo assim com restrições em relação às mercadorias transportadas e a estrutura de segurança dos veículos. Muitas têm serviços de inteligência e investigadores próprios. Tudo isso porque a polícia não consegue recuperar nem 10% das cargas roubadas.
A Pamcary já elaborou um cadastro com 90 mil caminhões envolvidos em roubo de cargas e cadastrou 700 mil motoristas autônomos. Para evitar que esses caminhoneiros sejam cooptados pelas quadrilhas, eles são submetidos a uma ‘quarentena’: nas primeiras viagens, só transportam cargas de até R$ 70 mil e de mercadorias pouco visadas.
Segundo Artur Santos, diretor da Pamcary, o crescimento do roubo de cargas é causado por três fatores: a falta de repressão (‘por falta de vontade política e recursos materiais’), a corrupção das polícias e a ‘‘degradação moral’’ de quem compra produtos roubados por apresentarem preços mais baixos.
O empresário disse que a falta de combate aos receptadores está permitindo que as cargas roubadas sejam vendidas no comércio estabelecido, ‘‘até em grandes supermercados e magazines’’. Santos criticou a falta de fiscalização das secretarias estaduais de Fazenda na apuração da procedência dessas mercadorias.(V.D.)

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