Empresas francesas entram na corrida pelo gigantismo Do correspondente Reali Júnior
Paris, 11 (AE) - O empresariado francês parece ter decidido não mais perder tempo e participar efetivamente da corrida pelo gigantismo, tendência que se observa no mundo, por meio de megafusões nos setores bancário e industrial.
Enquanto a direção dos dois bancos visados pelo BNP, a Societé Générale e o Paribas reúnem seus conselhos para estudar uma resposta apropriada, está sendo anunciada também como iminente a entrada do Grupo Renault no capital do japonês Nissan, principalmente após o anúncio oficial da desistência do grupo germano-americano DaimlerChrysler.
Toda essa atividade tem contribuído para criar um certo mal-estar na coalizão governamental de esquerda francesa, constituída por socialistas, comunistas e verdes, pelo fato do primeiro-ministro Lionel Jospin estar aceitando, sem qualquer reação, essas importantes mutações que ocorrem no capitalismo francês.
Essa vaga de concentrações internacionais revela os limites da margem de manobra do governo, pois trata-se do interesse das empresas e da própria economia e o chefe do governo não parece ter alternativa senão aceitar tais mutações.
No caso da oferta pública de troca de títulos lançada pelo BNP e na expectativa de sua definição, as ações dos três bancos subiram bastante hoje na Bolsa de Paris. O BNP subiu 7,2%, o Sogeral avançou 13,2% e Paribas subiu 18,2%. Os analistas econômicos são favoráveis à operação, mas os sindicatos reafirmam sua oposição de temer demissões.
O meio bancário francês disse estar "perplexo" com a decisão do BNP. Um banqueiro ouvido hoje sobre a iniciativa do presidente do BNP não poderia ter sido mais claro: "Michel Pérebeau encostou o revólver armado nas cabeças dos presidentes do Paribas e do Societé Générale".





