Empresas fecham semestre com desempenho acima do previsto
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 28 (AE) - Fabricantes de tecidos, confecções, calçados, alimentos industrializados, produtos de higiene e beleza, equipamentos de telefonia e elevadores encerram o primeiro semestre de 1999 com desempenho acima do previsto logo após a desvalorização cambial de janeiro.
Isso não significa necessariamente crescimento de vendas em relação a igual período do ano passado, mas indica boas perspectivas para o segundo semestre do ano. Nas previsões de empresários, o segundo semestre promete um incremento no volume de negócios, fazendo com que alguns setores terminem o ano até com crescimento na receita de vendas.
"O primeiro semestre foi conturbado, com juros altos, carga tributária elevada e desvalorização do real", relembra o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf. Mesmo assim, a cadeia da confecção, que abrange desde produção da fibra até produção de roupa, fecha o primeiro semestre repetindo o faturamento do ano passado. A perspectiva do setor é ampliar o volume de negócios a partir de julho, especialmente no mercado interno, com as roupas nacionais ocupando o espaço dos produtos importados.
Nas contas de Skaf, até o fim do ano serão contratados 50 mil trabalhadores. As vendas anuais no mercado interno deverão somar US$ 21 bilhões - US$ 1 bilhão mais que em 98. Na exportação também é esperado um acréscimo, de US$ 300 milhões.
"O aumento das exportações por conta desvalorização do real não ocorreu", diz o diretor da Beira Rio, fabricante de calçados de Novo Hamburgo (RS), Claudio Luis DallAgnol Maines. Ele explica que, como os estrangeiros pediram descontos em dólar e 40% da matéria-prima usada é importada, não foi possível beneficiar-se das mudanças no câmbio.
No mercado interno, a companhia reduziu entre 8% e 15% os preços médios dos calçados e ampliou o número de unidades vendidas. A Beira Rio fecha o primeiro semestre com crescimento de 7% no faturamento ante igual período de 1998, vendendo um volume 12% maior. Os planos, antes da desvalorização, eram de ampliar em 15% o faturamento e em 10% o número de pares de sapato. "Reduzimos as margens", diz Maines. Mas ele aposta no segundo semestre e espera fechar 99 faturando 15% mais que em 1998 e vendendo volume 16% maior.
O presidente da Atlas, Plinio Musetti, avalia que o primeiro semestre não foi catastrófico como se esperava logo após a desvalorização, mas está longe de 1997, que foi muito bom de vendas. O setor espera vendas de 5% a 10% maiores em 99. Com a mudança do câmbio, a Atlas pretende fazer do Brasil um pólo de exportação para América Latina. Mas o mercado interno ainda responde por quase 90% do do faturamento.
"As vendas no mercado interno estão levemente crescentes e dentro do esperado", diz o presidente da Perdigão, Nildemar Secches. Segundo ele, o setor espera elevar de 4% a 5% o volume de negócios no País e em 10% as exportações este ano.
Para o diretor da Ericsson, Paulo Castelo Branco, os negócios no setor de telefonia estão começando, com boas perspectivas para o segundo semestre. "O volume é interessante em relação ao ano passado." Para o presidente-executivo da Natura, Guilherme Peirão Leal, o primeiro semestre poderia ter sido melhor. "Estamos andando de lado", diz. "O segundo semestre, porém, será melhor; estamos confiantes", afirma.


