Empresas-espelho compram tecnologia para telefone fixo sem fio
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domingo, 15 de agosto de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 16 (AE) - As novas empresas de telefonia que farão concorrência à Telefônica, à Telemar, à Tele Centro-Sul e à Embratel já começam a assinar os primeiros contratos com a indústria para a compra da tecnologia WLL (Wireless Local Loop), mais uma novidade na era das telecomunicações brasileiras pós-privatização. O WLL é o chamado telefone fixo sem fio, que utiliza ondas de rádio para a comunicação.
A Canbrá, que vai operar na região da Telemar, fechou os primeiros contratos com a Nortel e a Ericsson. A Bonari, concorrente da Embratel, está iniciando as negociações com os fornecedores, segundo o presidente do Conselho de Administração da Ericsson, Carlos Paiva Lopes.
A Megatel, que disputará o mercado paulista com a Telefônica, ainda está preparando as suas instalações. A empresa vai se instalar em cinco andares num edifício da avenida Nações Unidas, em São Paulo, em setembro. Paiva Lopes avaliou que os primeiros clientes da Megatel devem ser as empresas e os consumidores de maior poder aquisitivo.
As companhias privatizadas também vão recorrer à tecnologia WLL para atender às cidades com menos de vinte mil habitantes. A Telefônica receberá até o final deste mês orçamentos para a implantação de 600 mil terminais WLL. A Telemar pretende instalar 500 mil e a Tele Centro-Sul ainda não solicitou cotações aos fornecedores.
Os fabricantes de aparelhos celulares estão capacitados para montar os novos terminais WLL, segundo Paiva Lopes. As linhas de produção serão as mesmas, mas será preciso importar os componentes. Tudo depende ainda da definição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a frequência que será destinada ao WLL. O anúncio deve ser feito em breve.
O custo do terminal de WLL do modelo mais simples é de cerca de R$ 500, mas os preços podem variar muito se houver mais valor agregado, como a capacidade de acesso à Internet. Em contrapartida, a infra-estrutura de um terminal fixo da tecnologia tradicional, isto é, por cabo, está hoje em apenas R$ 100.
Nos primeiros testes com o WLL no Brasil, uma das vantagens dessa nova tecnologia era o preço. Mas a mudança na política de compras dos novos controladores das telefônicas privatizadas, que abandonaram a exigência de atualização do software usualmente feita pela Telebrás, derrubou o preço dos telefones tradicionais.
A grande vantagem hoje do WLL é a rapidez na instalação da rede, que vai permitir aos novos prestadores do serviço telefônico iniciar ainda este ano a operação. A Megatel, por exemplo, vai começar a atender 13 municípios em dezembro, incluindo São Paulo, Guarulhos e Campinas. Outro benefício dessa nova tecnologia é a economia na manutenção da rede, sem a necessidade de obras nas ruas.
O aparelho de WLL é semelhante ao telefone convencional, dará o mesmo sinal de linha e, segundo Paiva Lopes, terá ótima qualidade de comunicação. Dependendo da região onde for instalado, o aparelho terá uma pequena antena ou um fio conectado a uma antena externa. Para o usuário, segundo o presidente da Ericsson, nada muda em relação ao telefone convencional. As companhias telefônicas ainda não definiram se o aparelho será cobrado na conta mensal ou se a aquisição será responsabilidade do consumidor.
O ingresso dessa nova tecnologia no mercado brasileiro vai favorecer o faturamento da indústria de telecomunicações este ano, assim como a produção de aparelhos celulares. Paiva Lopes avalia que o faturamento do setor este ano deve crescer pelo menos 10% sobre os R$ 12 bilhões de 1998.
Os dez milhões de usuários de celulares comemorados em julho serão doze milhões no final do ano. Os fabricantes de celulares já se programam para produzir mais. A Ericsson vai passar dos dois milhões de celulares ao ano para 2,5 milhões.
Essa reestruturação da indústria será também uma tentativa de voltar a atender o mercado latino-americano, particularmente o argentino, que importa celulares do Brasil. Com o aumento da demanda no País, os fabricantes reduziram as exportações no primeiro semestre em 6%. Mas segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), já houve uma recuperação das exportações.


