Empresas e universidades preparam centro de tecnologia para chips Simone Biehler Mateos
São Paulo, 18 (AE) - Empresas, universidades e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) uniram esforços para que o Brasil inaugure, dentro de um ano, o embrião do que seria o Vale do Silício nacional. Trata-se do Programa de Integração de Sistemas de Informação (Proisi), um centro de pesquisas e capacitação de recursos humanos na área tecnológica integrado por empresas e universidades.
A maior iniciativa do Proisi será o LatinChip, o primeiro laboratório da América Latina de pesquisa para desenvolvimento e fabricação de protótipos de chips. Para viabilizar o empreendimento, que deve ser inaugurado em abril de 2000, foi firmada hoje uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Centro Tecnológico para a Informática (CTI) do Ministério da Ciência e Tecnologia e a Motorola, primeira empresa privada a apostar no projeto.
Além da pesquisa e formação de recursos humanos qualificados, o LatinChip será capaz de fornecer protótipos de circuitos integrados desenhados para necessidades específicas de instituições e empresas. Como o laboratório poderá fabricar os protótipos nas quantidades necessárias para testes industriais (cerca de 3 mil unidades), permitirá um grande avanço do design nacional de chips para funções específicas.
"A indústria ainda desconfia do design nacional, mas a situação mudará com a possibilidade de testar esse design em tempo recorde", explica Arthur Cato, presidente do Setor de Produtos Semicondutores da Motorola. Como poucas empresas no mundo fabricam protótipos de chips, qualquer companhia ou pesquisador que queira testar um design de chip tem de encomendá-lo no exterior e esperar até um ano.
O LatinChip atenderá a essa demanda em poucas semanas. Seus clientes serão instituições e empresas de todo o continente
já que entre seus objetivos está a criação de uma rede de intercâmbio com universidades do mundo inteiro.
Parcerias - O Proisi será construído ao lado da Escola Politécnica, subordinado ao Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) dessa unidade da USP. O edifício do programa terá quatro andares, 9,5 mil metros quadrados e custará cerca de US$ 20 milhões, obtidos por meio de parcerias com empresas.
Hoje, esses convênios já custeiam 70% do LSI. No futuro, o Proisi deverá formar um clube de empresas que pagarão anuidades para participar desse centro de desenvolvimento tecnológico.
A Motorola ficará encarregada do treinamento de pessoal e doação de equipamentos avaliados entre US$ 5 millhões e US$ 10 milhões. Embora usadas, segundo o vice-presidente-executivo da empresa, Héctor Ruiz, essas máquinas darão ao LatinChip infraestrutura de última geração. "Será o laboratório de semicondutores mais avançado do mundo fora dos Estados Unidos", diz.
Os diretores da Motorola acreditam, entretanto, que o Proisi só será viável se for prorrogada a Lei de Informática, que estabelece isenções fiscais para que as empresas invistam em pesquisa em parceria com universidades e instituições especializadas. A lei expira em outubro, mas o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, já se declarou pessoalmente empenhado na sua prorrogação.





