Empresas e artistas querem agência de combate à pirataria
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Demétrio Weber e Tânia Monteiro 
Brasília, 27 (AE) - Representantes da indústria cultural e de entidades de artistas fizeram hoje um apelo ao governo federal para que crie uma agência nacional de combate à pirataria. Reunidos com os ministros das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, da Justiça, Renan Calheiros, e da Cultura, Francisco Weffort, criticaram a ineficácia do governo na hora de aplicar as leis de proteção dos direitos autorais.
"O governo não tem um plano de ação", disse o presidente da Associação Brasileira Cinematográfica, Steve Solot
enfatizando que o setor privado está disposto a contribuir com recursos para equipar o órgão."O ponto fraco não está na legislação atual, que é boa, mas na aplicação da lei", concordou o secretário-geral da União Brasileira de Compositores
Fernando Brant.
Preços - Após o encontro, no Ministérios das Relações Exteriores, eles seguiram para o Palácio do Planalto, onde acompanharam o discurso em que o presidente Fernando Henrique Cardoso propôs um mutirão antipirataria, mas cobrou das empresas informações mais claras sobre as tiragens de seus produtos e fez referência aos preços altos. "Discos de Macau, Cingapura, com custos de transporte, chegam mais baratos aqui", disse o presidente. "Nossos preços não estão lá muito bem."
A questão do preço também foi enfatizada pelo ministro Calheiros, que lembrou a apreensão de 12 milhões de CDs piratas vindos da China, no ano passado, no Paraná. "Os CDs tinham praticamente a mesma qualidade e chegaram aqui por R$ 0,48 a unidade", disse o ministro.
De acordo com o secretário-executivo da Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos, Márcio Gonçalves, em 98 foram vendidas 6 milhões de fitas cassete contra 60 milhões de unidades piratas. No mercado de CDs, a falsificação saltou de 3 milhões, em 97, para 35 milhões em 98. Somar esforços parece ser a solução para enfrentar o problema."Estamos fazendo um mutirão, ninguém resolve isso sozinho", resumiu o ministro Lampreia. Nova reunião deve ser feita em um mês.


