São Paulo, 30 (AE) - A região do ABC criou 7 mil novos postos de trabalho em fevereiro, mês em que tradicionalmente há aumento de demissões. Com isso, o índice de desemprego local baixou de 20,4% para 20% da População Economicamente Ativa (PEA). Estão sem trabalho 231 mil pessoas, 1,7% a menos do que em janeiro e 2,1% a menos na comparação com igual mês do ano passado.
Os números divulgados hoje pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) reforçam os resultados da Grande São Paulo, onde o índice de desemprego ficou estável no mês passado, fato que não ocorria há pelo menos 15 anos nesse período.
No ABC, o ligeiro crescimento da ocupação foi puxado pela indústria, que fez 8 mil contratações. O comércio criou 5 mil vagas e outros setores 1 mil. Já o segmento de serviços fechou 7 mil postos, resultando assim no saldo de 7 mil empregos novos.
O gerente de análise da Fundação Seade, Sinésio Pires Ferreira, também ressaltou como fator positivo o crescimento no nível de ocupação, de 0,8% em relação a janeiro. No período de 12 meses, o nível de ocupação cresceu 1,7%, o que corresponde a 15 mil novos empregos.
O setor industrial, responsável por 27,2% dos ocupados no ABC (ante 19,2% da Grande São Paulo) registrou aumento de 3 3% no nível de ocupação, crescimento que vem se mantendo nos últimos três meses.
"Esses dados refletem a melhora da economia nesse início de ano", disse Ferreira. Segundo ele, não é possível ainda prever se os dados positivos serão mantidos. Há expectativa, por exemplo, de que, influenciadas pelo aquecimento econômico, pessoas que tinham desistido de procurar trabalho voltem ao mercado, o que resultará novamente no aumento da taxa de desemprego.
Já o rendimento médio dos ocupados, que na região somam 1,154 milhão de pessoas, não teve desempenho positivo. Foi registrada uma queda de 1,4% nos ganhos. Para os assalariados (com carteira assinada), a queda foi de 2,4%. A média de salários está entre R$ 753 e R$ 778.
Outro dado negativo verificado na Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região do ABC é o tempo médio de desemprego, que saltou de 17 para 22 meses em um ano.
São Paulo e ABC foram exceções em fevereiro. Nas seis maiores regiões metropolitanas do País o desemprego atingiu 8,2% da PEA, maior índice já registrada em um mês de fevereiro desde 1983, segundo o IBGE.

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