Empresas disputam corrida maluca por pesquisa em Carajás
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 30 (AE) - Uma corrida de cem metros, do portão de entrada até o setor de protocolo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Belém, definiu as três novas empresas que vão pesquisar cinco áreas minerais, num total de 10 mil hectares, na região de Carajás, no sul do Pará.
A Companhia Vale do Rio Doce detinha os direitos de pesquisa nessas áreas, mas acabou perdendo o prazo legal (quarta-feira) para apresentar o relatório, conforme estabelece o decreto-lei 227/67 do Código Nacional de Mineração. A Vale contesta a decisão do DNPM e promete brigar na Justiça para retomar as pesquisas.
Os representantes das empresas vencedoras na corrida pelo requerimento das áreas declaradas livres pelo DNPM - Mineração Zafir Ltda, Sociedade de Mineração Atibaia e Rio Tinto Desenvolvimento e Minerais Ltda - tiveram de, literalmente, suar a camisa para chegar ao protocolo. Policiais militares fizeram um cordão de isolamento em torno dos competidores.
Quem passava na rua não entendia aquela inusitada disputa sob uma temperatura de 38 graus. As mineradoras trocaram seus executivos de paletó e gravata por atletas de roupas leves e tênis. Everaldo Soares, especialista em corrida de curta distância, foi taxativo: "Vale da rasteira ao empurrão para chegar na frente".
Afonso Lima não teve sorte. Logo na largada, ele recebeu uma rasteira e se estatelou aos pés de um policial. Lima reconheceu que seus concorrentes foram "mais fortes e desleais".
Para o chefe do DNPM em Belém, Benjamim Benoliel, a competição é "um absurdo completo". Ele disse que somente através do Congresso Nacional a lei que estabelece as regras para concessão de alvará de pesquisa poderá ser mudada. "Lá no decreto 227, infelizmente, está escrito que ganha o direito de pesquisa quem chega primeiro ao setor de protocolo com o requerimento na mão".


