Empresas devem procurar Petrobrás para atuar na Bacia de Campos
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Irany Tereza, Gustavo Alves e Mônica Ciarelli 
Rio, 16 (AE) - As áreas da Bacia de Campos (RJ) - que detém mais de 75% da produção de petróleo do País - não tiveram a procura que se esperava. Dos seis blocos leiloados, quatro tiveram apenas um candidato (consórcio ou empresa isolada) e uma não foi vendida. Apenas o bloco 4 teve disputa.
A explicação dos empresários é que a Petrobrás, que concentra suas operações nesta bacia, está em fase final de fechamento de acordos de parcerias em diversas áreas em Campos. Ao que tudo indica, as companhias preferiram a atuação conjunta com a Petrobrás à entrada isolada na maior bacia produtora do País.
área mais disputada de todo o leilão, o bloco 4 da Bacia de Campos, atraiu o interesse de nove empresas, entre elas alguns dos maiores competidores do mercado internacional, como Esso, Texaco e Mobil. As companhias se dividiram em quatro consórcios e o motivo para tanto interesse foi a localização do bloco, vizinho ao campo gigante de Roncador, onde a Petrobrás descobriu, há dois anos e meio, uma imensa jazida de petróleo.
A italiana Agip arrematou a área em parceria com a argentina YPF, mas fez um lance equivalente a menos da metade do que havia dado sozinha no dia anterior por uma área menos valorizada na Bacia de Santos. "Percebemos que nossos lances estavam desproporcionais em relação aos dos concorrentes", justificou Rocco Valentinetti, presidente da Agip, revelando que as propostas da empresa foram revistas depois do ágio recorde de 53.500% pago na terça-feira.
Pela área vizinha a Roncador - campo que tem capacidade para ser o maior produtor de petróleo do Brasil -, o lance foi de R$ 51,128 milhões, o que representou ágio de 20.300% em relação aos R$ 250 mil exigidos como preço mínimo para o bloco. Valor muito menor que os R$ 134,1 milhões da oferta para Santos.
"Não fazia sentido entrarmos sozinhos num bloco vizinho a um outro onde a Petrobrás estiver atuando com a Exxon, a Shell ou qualquer outro concorrente", explicou João Carlos de Luca, presidente da argentina YPF no Brasil. Para ele, outro grande atrativo do bloco 4 é que a Petrobrás está atuando sozinha no vizinho campo de Roncador.


