São Paulo, 28 (AE)- Empresários do setor de vídeo e som no Brasil estudam a fusão de suas empresas. Neste sentido, não só a Gradiente, Sharp e CCE poderiam se fundir, mas outras também, admitiu o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andréa Calabi, que se encontra hoje em Davos, na Suíça. "Não é o BNDES que está patrocinando estas fusões, mas sim os empresários, que me comunicam que estão estudando e nos consultam. Um dos empresários que conversou comigo sobre o assunto foi o Eugênio Staub".
Os empresários, por sua vez, evitaram comentar o assunto, dizendo que ainda é prematuro se falar em fusão, mas admitem que há estudos em andamento. "Há muitos estudos a respeito, mas é muito prematuro se afirmar algo concreto", afirmou um importante executivo de uma das empresas envolvidas no estudo.
Estes estudos poderão desembocar na necessidade de fortalecimento das companhias, que sofreram um encolhimento de mercado. Uma maneira seria seria elas se fortalecerem com fusões e buscando novos produtos e preços mais competitivos, disse um dos executivos envolvidos nas negociações. Calabi disse que "se os empresários chegarem a um consenso e apresentarem um plano que necessite de financiamento do BNDES, nós vamos estudar".
O ambiente no setor de áudio e video é de expectativa, pois a perda de mercado no ano passado foi um fato incontestável. Calabi chegou a dizer que os empresários citaram o setor de televisores, em que a queda foi muito grande. "Passaram de uma venda anual de 9 milhões de aparelhos em 98 para 3 milhões em 99", disse. Isso é confirmado pelas estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletrodomésticos (Eletros).
Esta situação começou a ser sentida com o fechamento de algumas lojas importantes do mercado, que eram distribuidoras de seus produtos, como a Casas Centro, Girz Aronson, a reformulação nas Lojas Arapuã e outras menores do interior do País. Houve perdas de faturamento, e as empresas que fecharam o fizeram em dificuldades e sem o pagamento de parcelas de dívidas com os fornecedores.
A Sharp, por exemplo, sofreu o reflexo da desvalorização cambial e seu endividamento subiu para US$ 300 milhões. Isto está sendo renegociado, apesar de o Unibanco ter deixado o processo de reestruturação da companhia. Em seu lugar assumiu um outro banco, cujo nome não foi revelado pela direção da empresa. A renegociação da dívida com os bancos está em parte equacionada. Para se ter uma idéia da gravidade da crise na Sharp, ela deixou de produzir 50% do que fazia ainda no primeiro semestre de 99. A partir daí sua situação se agravou, com falta de recursos para pagar fornecedores. Houve até uma interrupção na produção em sua fábrica em Manaus. Mas, através de negociações com fornecedores, se voltou a produzir. A Sharp não divulgou o último trimestral de 99, e também ainda não se sabe quando divulgará o seu balanço do ano passado. Neste meio tempo se falou até em um possível aumento na participação do capital da empresa da Sharp japonesa, que hoje detem 25% do controle; e também os 20% do Bradesco.
A outra empresa que busca a reestruturação no setor de áudio e vídeo é a Gradiente, que prefere não fazer comentários. Ela está procurando um parceiro estratégico para a sua unidade de negócios de imagem e som, a Gradiente Video e Som, Gavisa. O parceiro estratégico poderá ser um sócio ou apenas um parceiro que cederá a tecnologia através de um acordo.

mockup