São Paulo, 7 (AE) - O Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing estuda a possibilidade de entrar com uma ação coletiva na Justiça contra a Anatel ou as operadoras de São Paulo por causa dos problemas do novo sistema de interurbanos. O presidente da entidade, Alexandre Jau, calcula que as empresas do setor (clientes inclusive) deixaram de ganhar em três dias cerca de R$ 20 milhões.
"O que me deixa abismado é a incompetência da Anatel em relação ao problema, já que ela não foi capaz de planejar e organizar o sistema para evitar que isto ocorresse," diz Jau. Segundo ele, existem no Estado de São Paulo mais de 300 empresas de telemarketing que empregam cerca de 36 mil operadores. Essas empresas, pelo seu cálculo devem ter perdido cerca de R$ 3 milhões e seus clientes deixado de faturar perto de R$ 18 milhões.
Na TMKT, empresa que dirige, o índice de aproveitamento das chamadas caiu 73% e ele diz que apenas na avaliação de segunda-feira a empresa teve uma perda de receita de R$ 33 mil. "A TMKT quer ser ressarcida na Justiça," diz.
Embora sem ter levantado ainda o montante de seu prejuízos o diretor de Operações, José Luís Volpini, da Quatro A
maior empresa de telemarketing e centrais de atendimento do País, está trabalhando com 40% do seu volume de ligações. Os seis mil funcionários da empresa, que deve faturar este ano R$ 140 milhões, efetuam, segundo ele, cerca de 300 mil ligações/dia quando o sistema telefônico funciona normalmente.
"Além do que está se perdendo em valores podemos estar tendo estragos maiores com cartões de crédito de bancos e empresas de planos de saúde que são nossos clientes," diz. "Qual o custo de uma ligação que não se completa para se fechar uma internação hospitalar ou o cancelamento de um cartão de crédito por exemplo? pergunta.
Mudança de horário - Nas agências de turismo a saída para completar ligações têm sido alterar o horário de entrada e saída dos funcionários, recorrer aos celulares e telefonar para o exterior fora dos horários de pico. Mesmo assim o fechamento de negócios tem se atrasado.
O diretor Fernando Guinato, da Stella Barros, agência com 34 franquias em todo o País, diz que a situação está caótica. "Num levantamento de preços em 30 hotéis em vários Estados, para um cliente que fará uma convenção, demoramos mais de um dia para concluir o negócio," diz. Segundo ele, normalmente, este tipo de serviço é efetuado por uma equipe de funcionários em quatro horas. "Tivemos de recorrer aos celulares de funcionários de hotéis."
Para contornar os problemas ele tem deixado um funcionário de cada setor da agência encarregado de ficar tentando um determinado número de ligações. "Também temos dificuldades em passar e receber fax e de acessar o computador para comunicação com funcionários de outros Estados," conta. Na Agaxtur, a diretora Elenice Lourenço pede para seus funcionários efetuarem interurbanos antes ou depois do horário de expediente. "Estou até ligando da minha casa, tarde da noite para clientes do exterior," afirma.

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