São Paulo, 23 (AE) - As empresas de pager, que movimentam anualmente R$ 480 milhões, apresentaram à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reclamação contra o ingresso das companhias de telefonia celular nesse serviço. O presidente da Associação Brasileira de Rádio-Chamada (Abrac), Ely da Costa Falcão, informou à AGÒNCIA ESTADO que o presidente da Anatel, Renato Guerreiro, prometeu providências.
Segundo Falcão, o presidente da Anatel afirmou que as empresas de pager estão amparadas pela regulamentação vigente. Mas Guerreiro observou que o órgão regulador das telecomunicações atua em defesa dos direitos do cidadão, e que as companhias precisam estar abertas aos avanços tecnológicos.
Algumas empresas de telefonia celular, como a BCP, de São Paulo, já estão anunciando o serviço de mensagens como um recurso a mais para os assinantes. Isso se tornou possível com a adoção da tecnologia digital nos celulares.
A Abrac argumenta, no entanto, que no início da década o governo editou regulamentação específica para o setor de pager, criando esse serviço como a atividade principal de vários investidores. "Os grupos estão perplexos com essa nova situação", disse. Existem hoje no Brasil cerca de 40 empresas de pager e 1,2 milhão de usuários.
"Agora outros segmentos tratam esse serviço apenas como um valor agregado", declarou Falcão. "Esse mercado está sendo invadido, o que pode criar confusão", afirmou.
Em defesa do serviço de pager, o presidente da Abrac argumentou que a qualidade do sinal é muito melhor do que a do celular porque a rede de cobertura já está estabilizada após anos de investimento.
O pager digital entrou no mercado brasileiro em 1990 e o próximo grande avanço tecnológico nesse serviço deve ocorrer em um ou dois anos, quando será lançado comercialmente no Brasil o aparelho bidirecional, que permite ao usuário responder à mensagem por escrito.

mockup