Empresas de ônibus de São Paulo podem reduzir frota em 10%
São Paulo, 26 (AE) - As empresas de ônibus urbano de São Paulo podem reduzir sua frota de veículos em circulação em até 10% para diminuir os custos operacionais. A hipótese foi citada hoje pelo prefeito Celso Pitta (sem partido) durante a inspeção de obras em bairros da Administração Regional de Santo Amaro. Ele também determinou ao secretário municipal dos Transportes que reveja a "questão fechada" pela secretaria de vetar novo aumento na frota legalizada de lotações.
Caso a frota seja reduzida pode haver a dispensa de pelo menos quatro mil motoristas e cobradores das empresas. "A redução seria feita em linhas deficitárias, pois não é possível manter ônibus circulando vazios e a Prefeitura pagando subsídios violentos", disse o prefeito.
Atualmente, a cidade tem 10.800 ônibus, que transportam cerca de 4,5 milhões de passageiros por dia em 1.300 linhas. Em oito anos, houve uma perda de 2 milhões de passageiros. "Não podemos continuam trabalhando com esse desquilíbrio entre a oferta e a demanda", disse Pitta.
Para o prefeito está havendo um "descompasso" no sistema de transporte municipal. "Os passageiros estão pagando uma tarifa razoável, a Prefeitura dá subsídios de até R$ 17 millhões por mês, como aconteceu em abril, as empresas reclamando que estão quebrando,com a perda de passageiros para os perueiros, os trabalhadores estão perdendo emprego; essa situação precisa ser corrigida", afirmou Pitta. Para o prefeito é necessário que haja um "planejamento adequado pois existe existe espaço para os perueiros e ônibus." O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Gregório Poço, também é da mesma opinião. Ele só não concorda com a redução em 10% da frota. "Com isso as empresas de ônibus vão deixar mais espaço para o transporte alternativo", afirmou. O Transurb, sindicato que reúne os empresários de ônibus, também quer reduzir a frota e permitir o avanço dos perueiros. "Além disso não vamos concordar em hipótese alguma com a demissão de motoristas e cobradores", garantiu Poço.
Para ele, o prefeito precisava investigar porque "as empresas estão mais preocupadas em cumprir os horários do que transportar passageiros." E apurar porque grandes quantidades de horas extras são pagas mas não são concluídas nos holerites. "Com isso as empresas sonegam INSS e fundo de Garantia", denunciou.
Perueiros - Pitta determinou ao secretário municipal dos Transportes, Getúlio Hanashiro, que reveja a "questão fechada" pela secretaria de vetar novo aumento na frota legalizada de peruas de lotação. "Isso é necessário para atender moradores de alguns bairros, como da zona sul, que não têm acesso ao serviço de ônibus", disse.
O prefeito, no entanto, espera que nova liberação de 1.800 perueiros, conforme projeto aprovado pela Câmara Municipal
"não se transforme em trampolim para novas concessões no futuro". Já existem 2.700 legalizados. "Com essa quantidade vou colocar um ponto final na questão do número de perueiros, limitando esse número por pelo menos cinco anos", disse Pitta.





