São Paulo, 11 (AE) - As empresas do setor de material fotográfico estão reprogramando a sua produção para o mercado interno depois da desvalorização cambial, que provocou uma queda nas vendas do segmento, movido a insumos importados. Fujifilm, Kodak e Polaroid estão aguardando alguns sinais de estabilidade da economia e do dólar para refazerem suas projeções para este ano e definirem seus novos patamares de venda e produção. A Fujifilm, por exemplo, vai refazer também suas projeções para importação de insumos. Apenas as exportações permanecerão inalteradas. Segundo o diretor de relações externas da empresa, Sadawo Oba, as vendas da Fuji no varejo caíram 35% em janeiro em relação ao mesmo mês de 98. O repasse de preços não foi integral: os produtos integralmente importados foram reajustados em 55% e os produtos industrializados no Brasil com insumos importados subiram 45,5%. "É difícil estabelecer uma estratégia diante de uma crise geral. A fotografia não é um produto de primeira necessidade, e o que não é absolutamente necessário está sendo protelado. Para retomar o consumo é preciso voltar a confiança no governo e no futuro", afirmou Oba.
O diretor de assuntos corporativos da Kodak, Waldir Berger, acredita que, quando houver uma estabilização da taxa de câmbio, o setor fará um realinhamento e voltará ao normal, mas em um patamar de vendas inferior. A Kodak também sentiu o impacto negativo nas vendas com a desvalorização cambial.
A empresa não teve outra saída senão praticar repasse integral da alta do dólar, disse o seu diretor de assuntos corporativos, Waldir Berger. Ele não quantificou a queda nas vendas da companhia, mas afirmou que "metade do trimestre foi comprometido", referindo-se ao fato de os primeiros três meses do ano representarem o pico das vendas do setor, em função das férias de verão e do Carnaval. "Teremos certamente queda no faturamento", disse.
"Quando o mercado se acalmar, o setor vai se realinhar e terá um novo referencial", afirmou Berger. A Kodak vai manter o seu investimento anual de R$ 350 milhões na atualização tecnológica do seu parque industrial em São José dos Campos, interior de São Paulo. "A companhia não pode se descapitalizar. Se isso acontecer, perco as minhas exportações para América Latina, ãsia, Europa e áfrica", disse.
De acordo com o presidente da Polaroid Brasil, Carlos Alberto Júlio, a solução é trazer novos produtos ao Brasil para compensar a queda na comercialização de produtos como filmes instantâneos para profissionais, para fotos 3x4, laboratórios ou mesmo câmeras instantâneas. "Estamos em guerra. Quanto mais munição, melhor", disse. Para Sadawo Oba, a recuperação do setor depende de fatores como poder de compra e psicológico. Mas lembrou que o País tem um imenso potencial de consumo. Segundo ele, o consumo per capita do Brasil é de apenas 0,5 filmes fotográficos por ano, por exemplo, um desempenho muito abaixo de quase todos os países da América do Sul. "Acreditamos que tão logo estabilize esta turbulência no câmbio a população vai readquirir a confianca e o consumo poderá voltar ao patamar de 1998". A Polaroid repassou para o preço final apenas as suas despesas em dólar, que correspondem a 68% do preço do produto, disse Carlos Alberto Julio. A empresa ainda não mediu a queda nas vendas. "Houve um impacto, e não foi pequeno", disse ele. Na sua avaliação, ainda não é possível saber a causa dessa queda: retração de mercado ou uma expectativa dos clientes pelo recuo do dólar para voltar a comprar. Mas garante que não há problemas de abastecimento no mercado.

mockup