Empresas de Internet terão mecanismo para trocar informações sobre segurança
Washington, 15 (AE) - Executivos de companhias de tecnologia de informação e Internet concordaram hoje (15) em conter seu ímpeto natural à competição num mercado novo e pouco regulamentado e explorar formas de cooperação entre si e com o governo dos Estados Unidos para combater a penetração e os ataques contra sistemas da rede mundial de computadores por hackers.
Esse foi o o principal resultado da reunião que o presidente Bill Clinton realizou na Casa Branca com cerca de duas dúzias de empresários do setor e chefes das agências federais empenhadas em combater esse novo tipo de crime.
"Assumimos o compromisso de aumentar a segurança da Internet compartilhando informação sobre os ataques cibernéticos, as vulnerabilidades , medidas de prevenção e de resposta e melhores práticas como uma maneira concreta para melhorar a segurança da internet", disse, ao final da reunião, Peter Solvik, principal executivo de informação da Cisco Systems Inc e um dos participantes do encontro. O secretrário do Comércio, William Daley, que estava no Brasil à frente de uma missão de empresários norte-americanos antecipou seu retorno a Washington para participar da reunião.
Os computadores de várias empresas americanas especializadas em comércio eletrônico foram penetrados na semana passada e nos últimos dias, em ações que podem ter sido coordenadas a partir de diferentes pontos do mundo, e levaram à suspensão temporária de seus serviços.
O FBI, a polícia do estado de Oregon e a polícia federal do Canadá anunciaram hoje que estavam fechando o cerco contra vários suspeitos de envolvimento nos ataques da semana passada.
Embora não haja, até agora, indício de prejuízos às empresas em consequência de informações capturadas pelos hackers durante as invasões de seus sistemas de computadores, a suspensão temporária das operações de companhias como Amazon.com, E-Bay.com e Yahoo.com custaram milhões de dólares em negócios não realizados.
Os empresários pediram a Clinton para aumentar a consciência do público à respeito do problema e investir em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para melhorar a segurança da Internet e crirar um mecanismo para troca de informações à respeito, mas deixaram claro que as próprias empresas do setor devem ficar com a incumbência de desenvolver estratégias de auto-defesa.
O presidente norte-americano sublinhou a importância de um esforço conjunto entre o governo e o setor privado contra a ação dos hackers chamando atenção para o peso que os negócios baseados em tecnologias de informação já têm na economia americana.
"As companhias e os setores representados nesta sala somam cerca de 8% do emprego no país e represetam cerca de 30% do crescimento da economia", disse Clinton. "O desafio é fazer o que nós precisamos fazer no lado da segurança e ao mesmo tempo manter (a indústria) florescente e em crescimento", afirmou.
Paralelamente, Clinton pediu que não se exagere a gravidade dos ataques contra os sistemas de computadores, que viraram assunto de capa das grandes revistas semanais americanas.
"Eles são um alerta, mas não são um novo Pearl Harbor", disse o presidente, referindo-se ao ataque de surpresa que o Japão fez à base naval americana no Hawaí, em dezembro de 1941, na qual os Estados Unidos, perderam mais de mil soldados e praticamente toda a sua frota de guerra do Pacífico.
"Não estamos diante de uma crise", afirmou Clinton. "Mas os eventos da semana passada mostram que todos - os usuários da internet, as companhias da internet e o governo - precisamos trabalhar juntos para reforçar a segurança da Internet.
Um dos muitos problemas para proteger a Internet, cuja expansão como instrumento de negócios depende extamente de sua natureza aberta, simples e acessível, é que nem as autoridades nem as empresas atingidas pelos hackers sabem que tipo de adversário enfrentam ou como se dão exatamente os ataques.
A única certeza é que eles partem de computadores conectados à internet não por modems ligados a telefones comuns, mas a aparelhos ligados a redes de cabo, capazes de transferir dados a altíssima velocidades. Somente nos EUA, há pelo menos 1,65 milhão de residências hoje como computadores ligados à rede de cabo.
A dificuldade do combate ao hacker foi ilustrada segunda-feira
durante uma entrevista on-line que Clinton deu, via CNN, para falar de seu encontro com os empresários para discutir a segurança na Internet.
Durante a entrevista, que durou 25 minutos, um hacker conseguiu penetrar nos computadores da CNN, bater os filtros montados para selecionar as perguntas e atribuir ao presidente norte-americano a seguinte frase: "Acho que devemos ter mais pornografia na Internet."





