São Paulo, 18 (AE) - Ao contrário das montadoras, cuja maioria mantém executivos estrangeiros no primeiro posto, o setor de informática tem optado por brasileiros. Afinal, o Brasil responde por quase 50% das operações na América Latina. Abreviou-se, então, o tempo de chegada do executivo local ao comando.
O escolhido para tocar os negócios da America OnLine Brasil (AOL) é Francisco Loureiro. Carioca, torcedor do Fluminense, ele vai tocar, a partir de dezembro, investimentos da ordem de US$ 100 milhões previstos para a instalação da empresa. Metade do valor vem da AOL americana e a outra metade do Grupo Cisneros, da Venezuela. A AOL é o maior provedor de Internet do mundo, com 19 milhões de usuários, ou members, conforme o jargão da empresa.
Caso a AOL tivesse desembarcado no Brasil há dez anos, assegura o headhunter Marcelo Mariaca, não há dúvida de que a matriz teria cogitado seriamente em trazer um americano para o cargo. "Quem vem de fora não tem a mesma sensibilidade cultural e isso não é questão de tradução", justifica Loureiro. "Nesse segmento de grandes componentes tudo se desenvolve a partir das relações do executivo", acrescenta. Na carreira, Loureiro havia substituído um americano na presidência da GlobalOne para o Conesul, em 1996, mas desta vez não precisou aguardar a transição. Entre os cinco candidatos ao cargo arrematado por ele
havia um argentino.
Em informática, a transferência de comando para mãos nacionais segue o ritmo frenético dos negócios. Raphael Galiano Neto acabou de assumir a presidência da América Latina da SSA - System Software Associates, fabricante de software de gestão empresarial. A empresa está na região há dez anos, sempre com argentinos no controle dos negócios. A passagem de bastão para Raphael, se deu após seu ingresso, há dois anos, na presidência da empresa no Brasil e 27 anos de trabalho na IBM. Um ano após a chegada, o prejuízo de US$ 3,5 milhões havia se revertido em lucro de US$ 2,5 milhões. "Temos uma visão mais objetiva do que acontece na América Latina", diz Galiano. A facilidade de perceber essas situações, segundo ele, ajudou-o a ser escolhido entre mexicanos, colombianos e argentinos.

mockup