Empresas de Estevão depositaram R$ 2,3 milhões na conta da Ikal
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 01 (AE) - As investigações da CPI do Judiciário sobre as construtoras Incal e Ikal, acusadas de participar do esquema de desvio do dinheiro destinado às obras do fórum trabalhista de São Paulo, continuam surpreendendo os senadores. Eles descobriram agora que também as empresas do colega Luiz Estevão (PMDB-DF) repassaram R$ 2,3 milhões para a Construtora Ikal. Os depósitos da Construtora Saenco e do Grupo OK Construções e Incorporações, pertencentes ao senador, começaram no mês seguinte em que o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo constatou que as obras haviam sido abandonas pela Ikal. O esqueleto da construção vem se deteriorando e o que existe hoje é um local infestado de ratos e ratazanas, que exigirá ainda muito dinheiro para ser recuperado.
Outra coincidência descoberta pela CPI é que o último depósito, em 24 de março deste ano, foi feito na véspera da apresentação do requerimento do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), para criar a CPI do Judiciário. De 10 de novembro do ano passado até 11 fevereiro deste ano, a Saenco depositou na conta da Ikal, no Banco HSBC Bamerindus, R$1,33 milhão. Foram feitos ao todo oito depósitos. Os depósitos do Grupo OK Construções e Incorporações começaram na mesma data, novembro do ano passado, e continuaram até 24 de março último. Foram feitos 24 depósitos, no total de R$1, 047 milhão.
A descoberta surpreendeu porque foi omitida nos depoimentos prestados à CPI pelo senador Luiz Estevão e pelos donos da Ikal e Incal, Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz. O que se sabia até agora é que essas construtoras e outras empresas do grupo Monteiro de Barros haviam, sim, depositado cerca de R$17 milhões na conta de empresas do senador. Estevão disse que esse dinheiro foi repassado para que a Ikal honrasse compromissos que ficariam em aberto por causa do atraso no pagamento devido pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), para o qual a construtora realizava obras em Pernambuco. "Isso é uma co-gestão", justificou. "Quando faltava dinheiro, a gente mandava." O senador voltou a dizer que não participou da obra do fórum trabalhista e que considera irrelevante o fato de não ter falado desses depósitos no seu depoimento à comissão.


