Rio, 05 (AE) - O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA), brigadeiro Mauro Gandra, informou hoje que vai pedir ao Departamento de Aviação Civil (DAC) o perdão, por dois anos, das dívidas das empresas do setor com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Segundo Gandra, a medida vai evitar que apenas companhias estrangeiras possam fazer vôos no Brasil.
Segundo o brigadeiro, a questão tem de ser discutida pelo Executivo e definida por medida provisória ou projeto de lei. O argumento do SNEA é de que as companhias nacionais estão em situação difícil desde 1998, com a guerra de tarifas, que não proporcionou o aumento de passageiros esperado. A desvalorização do dólar piorou a situação, afirmou Gandra. Na proposta de perdão da dívida do SNEA, também consta a sugestão de que as empresas que estão em dia com a Infraero, durante os dois anos em que vigorar a medida, paguem apenas metade do débito, como forma de serem também compensadas.
O presidente do SNEA também pretende discutir a proposta de perdão com os presidentes das empresas. Gandra previu que a idéia só terá resultados concretos em dois meses. "A empresa não pode ficar trabalhando com uma dívida dessas em cima da cabeça", alertou. O presidente da Infraero, Eduardo Bogalho Pettengill, não mostrou-se disposto a aceitar o perdão das dívidas.
Pettengil afirmou apenas que as dívidas antigas com o setor serão resolvidas, "no máximo, cobrando na Justiça". Ele confirmou o início, hoje, da cobrança à vista de serviços prestados pela Infraero a grandes companhias nacionais devedoras
nos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio. Ele informou que se o serviços não forem pagos, os passageiros destas empresas serão transferidos para outros vôos.
O presidente da Infraero disse que não deve haver transtornos no funcionamento dos aeroportos com a cobrança. "A companhia aérea é a principal interessada em que não haja tumulto", afirmou, para explicar porque o pagamento será feito pelas empresas inadimplentes. Pettengill acrescentou que a medida já vem sendo adotada com outras 32 empresas de võs de carga, charter ou regionais.
Pettergill afirmou que no próximo final de semana a cobrança a vista será estendida para outras rotas que serão definidas. As companhias que estão em dia com a empresa vão continuar a ter a cobrança dos serviços parcelada ao longo do mês, como já é feito.
O presidente da Infraero afirmou que a cobrança à vista vai ter um efeito reduzido sobre os custos das empresas. Para dar um exemplo, ele informou que o preço cobrado por cada pouso realizado em um aeroporto por um Boeing 737 é de R$ 430. De acordo com Pettengil, a dívida total que é cobrada na Justiça das empresas é de R$ 255 milhões. Outros R$ 120 milhões já foram renegociados.

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