Rio, 20 (AE) - O piloto Marcelo Bairros, de 30 anos, comandava um vôo de Florianópolis para Guarulhos quando, ao sair de uma nuvem, se deparou com um enorme balão, equivalente a um prédio de dez andares. Para evitar a colisão, teve que realizar uma manobra rápida, sem avisar à torre de controle. Não detectáveis por instrumentos, os balões juninos foram tema de uma mesa redonda organizada, hoje pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA). A idéia é estabelecer uma parceria entre várias instituições para combater o problema.
Assessor de Segurança de Vôo do SNEA, Ronaldo Jenkins de Lemos, define estes artefatos de papel como verdadeiras "minas áreas". "Um balão de cerca de 14 metros, pesando 50 quilos, tem um impacto equivalente a 100 toneladas", exemplifica Lemos. Enfim, uma bomba solta no ar, que pode fazer um estrago e tanto. Se não fizesse a manobra, o piloto Bairros, que trabalha há 15 anos com aviação, garante que seria inevitável a destruição de sua aeronave a 1.300 metros de altura. "Incrível, temos que contar com a sorte, já que não é possível rastrear o objeto". São Paulo e Rio de Janeiro são os campeões em incidentes. De janeiro até agora, foram contabilizadas 21 ocorrências com balões em São Paulo e 19 no Rio de Janeiro. Em 1998, o aeroporto de Guarulhos registrou 115 ocorrências, enquanto no mesmo período aconteceram 40 incidentes deste tipo no Aeroporto Internacional do Rio. Preocupada com a situação, a direção da International Air Transport Association (IATA), está enviando um alerta às empresas aéreas estrangeiras que operam com destino ao Rio de Janeiro e a São Paulo, e ainda está solicitando providências às autoridades brasileiras.
Para Lemos, a única forma de controlar a ação dos "baloeiros" é fazer valer o artigo 42 da lei federal nº 9.605, de dezembro do ano passado, que prevê multa e uma pena de até três anos para quem fabrica, solta, transporta e vende balões. O SNEA se aliou à Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil do Rio de Janeiro (DFAE) para a criação do serviço "Disque-Balão" (021-690-3636) preparado para receber denúncias por 24 horas.
No dia 27, será realizada, na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), a simulação de um acidente com balão. O Superintendente da Reduc, Eider Prudente de Aquino, que também participou da mesa-redonda, diz que a refinaria realiza um trabalho de educação ambiental nas escolas como uma ação preventiva. A Reduc, que armazena 3 bilhões e 400 millhões de litros de petróleo e combustíveis também tem números a mostrar: neste ano, quatro balões já caíram no local, sendo que dois acessos. Em 98 foram registrados 59 balões (41 acesos) e em 97 foram 72 (50 acesos).

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