Empresas dão chance à TERCEIRA IDADE
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sábado, 22 de setembro de 2001
Rosana Félix<br> De Curitiba 
Os idosos começam a encontrar espaço para trabalhar. Empresas preocupadas com marketing, mas também conscientes do seu papel social, estão contratando pessoas com mais de 70 anos para diversas atividades. Em Curitiba, surgem nos supermercados as maiores oportunidades de emprego para a terceira idade. Os grupos Pão de Açúcar, Mercadorama e Wal-Mart têm, em seus quadros, funcionários com muita experiência e disposição para a atividade profissional.
O Sistema Nacional de Emprego (Sine) do Paraná não tem dados específicos sobre a terceira idade. A faixa de idade de mais de 54 anos, que inclui os idosos, mostram que eles representaram cerca de 1% das pessoas que se inscreveram procurando emprego neste ano, em um total de 558 mil. Das pessoas que conseguiram uma colocação (74 mil), menos de 0,5% correspondem a essa faixa etária.
Mas segundo o coordenador do Sine, Walter Gonçalves, as companhias estão percebendo que trabalhar com pessoas de várias faixas etárias é interessante. ''Estão percebendo que precisam ter população funcional com variedade, seja sexo, idade, experiência, porque isso funciona melhor'', afirma.
Segundo Gonçalves, a colocação de mão-de-obra da terceira idade não é tão difícil de acontecer. '' Há uma preocupação da empresa em fazer marketing social, e por isso foram abertas essas oportunidades'', avalia. ''Geralmente os idosos que trabalham não dependem do emprego para sobreviver, mas a questão é que eles se sentem produtivos, úteis, inseridos na sociedade'', completa.
Os benefícios com essa nova atitude das empresas são vários, explica o coordenador do Sine. ''Além de ser um marketing para a própria empresa, ela está alertando à comunidade ao fato de que o cidadão continua útil por toda a vida. Isso também dá segurança para aquelas pessoas que estão próximas da terceira idade'', diz. Segundo ele, é bastante difícil encontrar vagas para pessoas na maioridade, entre 40 e 50 anos. ''Mas se o idoso pode ser útil, porque uma pessoa de 48 anos não pode?'', pergunta.
De acordo com o gerente de comunicação do grupo Sonae (controlador do Mercadorama) Hudson José, há 14 idosos trabalhando em sete lojas em Curitiba. Eles atuam como relações-públicas, recepcionando os clientes e orientando sobre produtos. O programa começou há três meses. ''Nós observamos que havia procura de emprego de pessoas da terceira idade. Mesmo que elas não tenham experiência, com um mínimo de escolaridade e um pouco de treinamento, podem trabalhar'', diz. Segundo ele, o Sonae trabalha com o conceito de empresa cidadã.
A rede Pão de Açúcar desenvolveu o programa Terceira Idade no final de 1997, em São Paulo. Segundo a companhia, foi constatado que o trabalho devolve ânimo aos idosos e que o relacionamento nas lojas também é beneficiado pela presença deles.
Segundo a empresa, a contratação dos aposentados, além de passar a imagem de uma empresa cidadã, também serve como exemplo aos funcionários mais jovens, já que foi constatado que os idosos têm um trato melhor com os clientes e os produtos. São 27 funcionários que atuam na loja Extra do Alto da XV e nos mercados Pão de Açúcar. Em todo o Brasil, a empresa tem 800 funcionários.
Para a atendente Anody Borges da Silva, de 69 anos, trabalhar em uma loja Pão de Açúcar em Curitiba foi um alívio. Ela conta que foi assaltada no ano passado e levada pelo bandido até um caixa eletrônico. ''Fiquei muito assustada, até adoeci. Ficar em casa só me deixava mais triste, e por isso resolvi me inscrever para trabalhar'', diz ela, que está há sete meses na função. ''Além disso, o salário de aposentado não dá nem para pagar os remédios, então um troquinho a mais é sempre bom''.
Outro funcionário do Pão de Açúcar é Antônio Marinho de Andrade, de 58 anos. Ele trabalha na lanchonete dentro do mercado. ''É muito bom quando as pessoas te olham diferente, não acham você velho, que não serve para nada'', diz. Para ele, as empresas deveriam criar mais oportunidades para os idosos. ''A gente se sente muito útil'', afirma.


