Empresas contestam aumentos informados pelo ministério da Saúde
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Simone Biehler Mateos 
São Paulo, 09 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, convidou para uma reunião nesta quarta-feira, em Brasília, os representantes das principais empresas fornecedoras de materiais hospitalares acusados, em nota divulgada pelo ministério, de promover aumentos abusivos de preços. O objetivo da reunião é discutir formas de reduzir o impacto da desvalorização do real sobre os preços do setor.
Algumas empresas que figuravam na nota do Ministério da Saúde desmentiram as informações divulgadas. Uma delas foi a Cremer, acusada de promover aumentos de até 30%, "apesar de utilizar apenas material nacional". Segundo seu diretor-presidente, José Fagundes, a eliminação de alguns descontos na nova tabela da Cremer representou, na prática, reajustes de até 10%. "Aumentamos pouco, embora nossa principal matéria-prima seja o algodão, produto importado", argumenta. O presidente da Cremer estranhou o fato de o nome da empresa figurar entre os fornecedores hospitalares que estão praticando aumentos abusivos porque, há anos, a empresa não vende diretamente a hospitais.
O presidente da Union Carbide, Jean Peter, também informou que o maior aumento que a empresa promoveu em insumo usado na área de saúde foi de 12% e não de 50%, como divulgou o ministério.
A Vigilância Sanitária, responsável pelo levantamento de preços que resultou na nota, informou que suas fontes foram oito dos maiores hospitais - públicos e privados - do País e alguns dos grandes laboratórios. No caso da Cremer, segundo a vigilância, um hospital informou que um distribuidor de insumos hospitalares havia cancelado uma entrega alegando não poder manter os preços acordados, pois a Cremer, fabricante do produto
havia aumentado os preços 30%.
Já no caso da Union Carbide, as informações vieram do Laboratório Fleury, que estaria pagando 50% a mais por uma resina usada para fabricar placas empregadas em análises clínicas.


