Empresas com filiais na Argentina pedem financiamento ao BNDES
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 26 (AE) - As empresas brasileiras que montaram, a partir de 1993, subsidiárias na Argentina, atraídas pela criação do Mercosul, buscam agora apoio do governo para conseguir crescer no mercado argentino. Hoje, representantes do Grupo Brasil, formado por 192 companhias nacionais com filiais naquele país, foram ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pedir a criação de uma linha especial de financiamento.
Os empresários reivindicam, também, a entrada da BNDESPar, empresa de participações do banco, em subsidiárias, por meio de joint ventures, associações ou participação acionária. Andrea Calabi, presidente do BNDES, informou que o banco dispõe de US$ 3 bilhões para projetos de empresas brasileiras no exterior, incluindo financimento às exportações, embora tenha salientado que não há como financiar iniciativas que signifiquem fuga de capital ou o fechamento de empresas no País.
O diretor do BNDES-Exim, Renato Sucupira, disse que há interesse na "internacionalização das empresas", desde que isso não represente uma desaceleração dos investimentos no País. Ele acredita que há disposição para o banco captar recursos e dar suporte financeiro às empresas e pode haver resultados práticos ainda neste semestre. Há cinco pedidos em tramitação no banco, que serão examinados pontualmente. "O BNDES vai passar a financiar não apenas a exportação de produtos, mas também de serviços e de empresas", disse.
Foi criado um grupo de trabalho, formado por diretores e técnicos do banco e executivos das empresas, para discutir, em 90 dias, as formas de ajuda possíveis. O presidente do Grupo Brasil, Eloi Rodrigues Almeira, da Pluma S.A., afirma que as empresas não estão em dificuldades financeiras, mas sim de expansão. "Estamos batalhando para crescer num mercado que é hoje dominado por empresas de fora do âmbito do Mercosul", afirmou, citando a participação maciça de firmas européias no processo de privatização argentino e a entrada de empresas chilenas, reforçadas por fundos de investimentos.
"Estimamos que, para crescer, precisamos de, no mínimo US$ 5 bilhões pelos próximos quatro anos", disse. O Grupo Brasil, criado há cinco anos, reúne não apenas empresas brasileiras, mas também multinacionais que têm a diretoria para a América Latina com sede no Brasil. É o caso do banco holandês ABN Amro e do americano BankBoston. Entre os participantes da lista estão empresas de peso como Brahma, Ceval, Bradesco, Arisco, Embratel e Transbrasil. "O problema é que todas entram na Argentina como empresas de médio porte e enfrentam uma grande burocracia." Até 1998, o Brasil ocupava o quinto lugar em investimentos na Argentina. No ano passado, passou para o 16º. "Precisamos romper as barreiras burocráticas dos bancos centrais dos dois países, para poder aumentar nossa infra-estrutura", diz Almeida. Segundo ele, a iniciativa vem de encontro à política do goverrno de inserir as empresas nacionais no processo de globalização. Além disso, em sua opinião, o bom desempenho no exterior vai se refletir também nas matrizes brasileiras.
De qualquer modo, antes mesmo de acertar um programa de financiamento, o BNDES já condicionou a liberação de eventuais empréstimos à manutenção das unidades brasileiras e à adoção de um programa de metas de crescimento. Também haverá a exigência de preferência à importação de matérias-primas, insumos e componentes do Brasil para as subsidiárias no exterior. Na próxima semana, um grupo de técnicos do BNDES irá a Buenos Aires
para continuar a negociação.


