Rio, 05 (AE) - Um grupo de grandes empresas instaladas no Espírito Santo está formando, com o apoio do governo capixaba, um consórcio para elaborar um plano estratégico de desenvolvimento para o Estado, que luta para sair da crise. As instituições pretendem diagnosticar os problemas que atrapalham o desenvolvimento da economia local, marcada por negócios de importação e exportação, e descobrir o que pode ser feito nas áreas de logística e infra-estrutura para vencer os "gargalos" e atrair novos investidores.
O projeto reúne, entre outras, as empresas Aracruz Celulose, Belgo Mineira, Companhia Siderúrgica de Tubarão, Companhia Vale do Rio Doce, Coimex Internacional, Cotia e Xerox do Brasil. As empresas pagarão estudos sobre o potencial do Espírito Santo, que serão iniciados em breve. O trabalho será coordenado pela Secretaria do Planejamento e terá representantes do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Dão consultoria ao governo capixaba na iniciativa o ex-ministro Raphael de Almeida Magalhães e o ex-presidente da Vale Eliezer Batista.
O consórcio em formação deverá investir cerca de R$ 1,2 milhão na contratação de uma empresa de consultoria que, ao longo de um ano e meio, examinará problemas do Estado e propostas para resolvê-los. Nos primeiros 90 dias, será elaborada uma análise dos projetos para o Estado que estão sob estudo do governo federal, listados a partir de um trabalho da Booz Allen que relaciona mais de 200 projetos em todo o Brasil nas áreas de energia e transporte, cuja concretização aumentaria a competitividade das empresas brasileiras.
As obras são portos, ferrovias e usinas de energia, entre outros, que fizeram parte do programa da primeira campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso e que acabaram por formar a base do Brasil em Ação, programa de infra-estrutura do governo federal. No caso específico do Espírito Santo, uma das idéias é que a própria iniciativa privada toque projetos que os consultores apontem como indispensáveis ao desenvolvimento capixaba, ou seja, sem investimento de recursos públicos. O novo governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira, não tem dinheiro para tocar a máquina pública.
Um dos caminhos que provavelmente será seguido pelo consórcio será o estímulo à vocação exportadora do Estado. Além de ter portos de grande calado, o Espírito Santo tem localização estratégica no litoral brasileiro e no Atlântico Sul, o que poderá ser aproveitado em futuros projetos exportadores. As obras de infra-estrutura e logística, no caso, serviriam para reduzir custos das empresas, que poderiam oferecer produtos a preços mais competitivos no mercado internacional. A retomada do crescimento da economia local poderia auxiliar o Estado a superar os problemas da sua administração.

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