São Paulo, 13 (AE) - Preocupadas com sua imagem no exterior e a concorrência do mercado globalizado, as empresas brasileiras investiram, nos últimos dois anos, US$ 1,5 bilhão em certificações ISO 14001, norma instituída mundialmente em junho de 1996, que atesta excelência em sistemas de gestão ambiental. A expectativa é de que até o final do ano 2000, 500 empresas estejam certificadas em conformidade com a norma, ante 136 hoje, no País.
A informação foi dada pelo presidente da Feira e do Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial (Fimai/Simai), Julio Tocalino Neto, após a abertura dos eventos, que acontecem até sexta-feira, no Centro de Exposições Mart Center, em São Paulo. "É um pequeno passo, mas muito significativo para nós", disse Tocalino.
Segundo ele, o Japão, país que atualmente representa a maior adesão à norma ISO 14001, tem aproximadamente 1,6 mil empresas certificadas, seguido de Canadá e Estados Unidos, com 900 companhias. O Brasil é o primeiro país da América Latina a alcançar a marca de 100 empresas. "Até recentemente, o empresário achava que a preocupação com o ambiente era sinônimo de despesa", disse o presidente do evento.
Mas, de acordo com Tocalino, as barreiras comerciais já encontradas pelas companhias brasileiras no exterior devem ser muito mais fortes até o fim do ano que vem, de forma que elas precisam estar enquadradas nos padrões exigidos pelo mercado internacional.
Ele afirmou que o compromisso com a questão ambiental é muito importante para o marketing de uma empresa, além do caráter de conscientização. Existe também para o empresário o risco de ser indiciado, ou mesmo preso, com base na Lei de Crimes Ambientais (9605/98), o que deve ser evitado.
Dificuldades - Apesar do esforço do empresariado para se adequar às normas de gestão de qualidade aceitas internacionalmente, existem dificuldades em termos financeiros. Segundo Tocalino, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma linha de crédito para financiar projetos ambientais. "Mas com as dificuldades econômicas do País, os recursos vêm sendo cortados do ano passado para cá. A livre iniciativa está fazendo quase tudo sozinha", afirmou.
O presidente da Fimai relatou que, em 1997, o Banco Mundial destinou US$ 80 milhões para esses projetos no Brasil, dos quais apenas US$ 44 milhões, pouco mais de 50%, foram aproveitados. "O cidadão brasileiro não tinha informação e o dinheiro foi devolvido", afirmou.
A Bahia Sul Celulose, empresa pioneira na certificação ISO 14001, investiu US$ 1 milhão na implantação do seu Sistema Integrado de Gestão de Qualidade (SGQ), nos dois primeiros anos.
Negócios - A Feira Internacional de Meio Ambiente (Fimai), primeiro evento desse porte realizado no País, deve ter um volume de negócios de aproximadamente US$ 50 milhões. "Mas devido à continuidade das negociações após o término da feira, não dá para mensurar", disse Tocalino.
O evento, aberto ao público, é dirigido principalmente aos gerentes das áreas ambientais das indústrias, à procura de novas tecnologias para o setor. "É um grande encontro de consumidores e fornecedores", afirmou o presidente da Fimai.
Mais de 120 empresas certificadas em conformidade com a norma ISO 14001 participam da feira, que deve receber um público de 12 mil pessoas até sexta-feira. Entre as companhias presentes no evento estão Petrobrás, Belco Mineira, Companhia Vale do Rio Doce, White Martins e Companhia Siderúrgica Nacional.

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