Rio, 23 (AE) - Empresas privadas do setor de energia assinam amanhã (24) com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, um pacote de protocolos de responsabilidade para construção simultânea de 49 termoelétricas. O projeto representa uma capacidade adicional de geração de energia entre 13 mil megawatts (mw), que corresponde à mesma oferta colocada hoje no mercado pela hidrelétrica de Itaipu, a maior usina do País.
O investimento total das mais de 20 empresas que participam do projeto é de cerca de R$ 11 bilhões e o prazo para a entrada em operação das térmicas é 2003. A usinas já têm garantia de suprimento e de compra da energia produzida, que será ofertada a grandes consumidores, entre eles indústria, e companhias distribuidoras.
"Isto não é só um assunto do setor de energia, mas uma questão industrial, que afeta o crescimento e o desenvolvimento do País", diz o presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul. A empresa é sócia de grande parte dos projetos, com participação média de 25%. Sua maior parcela é numa parceria com a Asea Brown Boveri (ABB), numa unidade térmica na Bahia na qual a Petrobras terá 49% de participação.
Reichstul lembrou que o País está sob ameaça de falta de energia, devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. A maioria das 49 usinas será alimentada a gás natural e 42 delas ficarão localizadas ao longo do percurso do gasoduto Brasil-Bolívia e nas imediações da Bacia de Campos, onde também é produzido gás. As sete restantes serão construídas no Nordeste.
"Temos hoje uma capacidade de 60 mil mw e, com estas usinas
estaremos gerando 20% a mais, o que vai garantir a oferta numa fase gravíssima de consumo de energia elétrica", diz Reichstul de hidrelétrica. "O mais importante é que, seguindo a lógica natural, as térmicas a gás natural ficam perto dos centros de consumo, o que elimina gastos com transmissão, inevitáveis em relação às hidrelétricas." Entre as empresas que participam dos consórcios estão gigantes do setor de gás, como as norte-americanas Enron e General Etectric, a inglesa British Petroleum (BP) e a japonesa Marubeni.
A Eletrobrás não fará investimentos financeiros nos projetos. A Petrobrás participará de 27 consórcios e, em alguns deles, entrou apenas "para viabilizar o projeto", como disse Reichstul. Em três dos empreendimentos, utilizará a energia da usina termoelétrica para suprir refinarias.

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