São Paulo, 27 (AE) - Embora o prazo tenha-se esgotado na segunda-feira, as norte-americanas Teleflex e Northrop não depositaram em juízo R$ 17 milhões, valor fixado pela Justiça como "tutela antecipada" a 34 parentes de vítimas do Fokker 100 da TAM que caiu no Jabaquara, em São Paulo, em 31 de outubro de 1996, matando 99 pessoas. A causa foi uma pane no reverso, freio aerodinâmico fabricado pelas duas companhias.
A Teleflex apresentou hoje sua defesa prévia, na qual pede o arquivamento do processo. Alega que toda a culpa pelo acidente cabe à TAM, pois o piloto e o co-piloto teriam usado indevidamente o equipamento. Segundo a empresa, eles forçaram o cabo, com precipitação, imperícia e tamanha violência que ele se rompeu. Isso danificou o sistema eletrônico controlador do reverso, que se abriu e fechou quatro vezes. Conforme a Teleflex
os pilotos deveriam ter deixado o avião subir com uma só turbina, para então retornar à pista.
A Teleflex acrescenta que o reverso funcionou conforme o projetado, mas a falta de informações e de treinamento dos pilotos causou o acidente. A empresa juntou à sua defesa cerca de 200 documentos. O advogado das famílias, Renato Guimarães Júnior, disse que a Teleflex age de má-fé, ao defender-se sem depositar o dinheiro. A Northrop ainda não se manifestou.
A 5ª Câmara do 1º Tribunal de Alçada Cível restabeleceu por unanimidade tutela antecipada que obriga a TAM a depositar R$ 150 mil para cada uma de oito famílias de vítimas. O depósito foi determinado em novembro, mas a TAM conseguiu suspender a decisão por liminar concedida pelo próprio tribunal.

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