São Paulo, 30 (AE) - A empresa alemã Deutsche Telekom e a espanhola Telefónica são as principais interessadas em assumir a Intelig, operadora de longa distância que fará concorrência à Embratel, que pode ter de mudar de mãos por causa da fusão MCI WorldCom e Sprint. A avaliação é do diretor internacional de consultoria e pesquisa do Yankee Group, Carlos Guzman-Perry. O Yankee Group está entre as maiores consultorias do mundo na área de telecomunicações.
Perry disse que a Deutsche Telekom e a France Telecom têm, cada uma, 10% do capital da Sprint. Com a aquisição da Sprint pela MCI WorldCom, o natural é que essas posições sejam negociadas. Uma possibilidade, segundo Perry, é que a Deutsche Telekom venha a assumir a participação da Sprint na Intelig, que é de 25% do capital.
"A Deutsche Telekom está com uma postura muito agressiva para entrar no mercado brasileiro", afirmou Perry. Já a France Telecom, na análise do diretor do Yankee Group, está adotando uma postura menos agressiva. "A France Telecom não tem um interesse de longo prazo no País", disse. A France Telecom tem 25% da Intelig e os outros 50% são da britânica National Grid.
A Telefônica, por outro lado, mantém o interesse no Brasil que demonstrou na privatização da Telebrás. Perry considera que a empresa seria uma compradora potencial da posição da Sprint na Intelig. "Deutsche Telekom e Telefônica são os maiores interessados na Intelig", declarou Perry.
Essas negociações podem ser efetivadas se o órgão regulador das telecomunicações nos Estados Unidos, a Federal Communications Commission (FCC), determinar que a fusão da Sprint com a MCI Worldcom só será aprovada mediante algumas concessões. Entre elas estariam a venda de parte do backbone de Internet da Sprint e ativos em outros países, como o Brasil.
Para o presidente mundial do Yankee Group, Berge Ayvazian, a saída da France Telecom e da Deutsche Telekom da Sprint pode ser concretizada com a venda das ações por dinheiro ou com a entrega de ativos. A Deutsche Telekom, com a presença no Brasil, fortaleceria sua influência na aliança Global One.
Segundo Ayvazian, a proposta de fusão da MCI WorldCom com Sprint não será aprovada como está. A MCI WorldCom é a segunda operadora de longa distância dos EUA e a Sprint, a terceira. A AT&T é a líder. "Depois da decisão sobre a Microsoft (num processo de monopólio), os reguladores estão se voltando para as telecomunicações", disse Ayvazian. "Eles estão se sentindo muito poderosos".
Além da FCC, o Departamento de Justiça americano pode vetar a fusão por julgá-la abuso de poder econômico. O presidente mundial do Yankee Group argumentou ainda que pode ser do interesse da MCI WorldCom que a FCC e o Departamento de Justiça vetem a fusão, permitindo apenas a negociação do segmento de telefonia móvel da Sprint. "O que a MCI quer é o serviço de PCS (Personal Communications Systems) da Sprint", afirmou.
Os executivos do Yankee Group estão em São Paulo para divulgar a pesquisa anual "Estratégias para redes globais".

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