Empresários voltam a confiar na economia, segundo pesquisa da CNI
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 29 (AE) - Pesquisa industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no primeiro trimestre deste ano, com 807 empresas, entre pequenas, médias e grandes, indica que os empresários brasileiros voltaram a ter confiança no bom desempenho da economia e que há, também, uma melhora sensível nas suas expectativas com relação aos próximos seis meses. A pesquisa realizada pela Unidade de Política Econômica da CNI, entre o final de março e início de abril, mostra que os três primeiros meses de 1999 foram um dos piores entre os períodos da crise, iniciada na metade do ano passado, com a moratória da Russia. Dos entrevistados, 88% dos grandes e 83% dos pequenos e médios disseram que as condições da economia pioraram no final do primeiro trimestre, em relação aos seis meses anteriores. A maior parte deles informou já estar sentindo os efeitos da recessão, por meio da redução da produção e do faturamento das empresas. De acordo com os dados da CNI, a tendência de deterioração da situação financeira se manteve no primeiro trimestre deste ano. A lucratividade (relação preço-custo) das indústrias caiu no período com menor intensidade. A liquidez, contudo, se acirrou em 99 assim como a situação financeira global das empresas.
Em relação ao comportamento da economia nos próximos seis meses, os industriais entrevistados desenharam um cenário otimista. A pesquisa constatou forte melhora nas perspectivas de exportações, mais acentuada entre as grandes empresas. Também 31% das pequenas e médias, que não exportam, informaram a decisão de começar a operar no comércio externo. Os empresários também disseram que os juros altos continuam sendo o principal problema enfrentado pelas g randes indústrias. As empresas também apontaram o crescimento da falta de demanda. Esse item estava em quarto lugar na pesquisa do trimestre anterior e subiu
agora, para os segundo lugar. Para as pequenas e médias a maior queixa foi a carga tributária, ficando os juros em segundo lugar.
Câmbio - Pesquisa feita pela CNI, também avaliou os impactos da desvalorização cambial, e apurou as consequências na evolução de custos e preços, uso de insumos importados, concorrência com produtos importados e desempenho exportador. Quase 80% dos entrevistados, segundo a pesquisa, acreditam que a taxa de câmbio deverá se equilibrar entre R$ 1,60 e R$ 1,80, com uma média de R$ 1,70, ao final deste semestre. Essa indicação prevaleceu especialmente entre as grandes empresas. Embora mais de 90% dos entrevistados afirme que os custos vão aumentar, a desvalorização vai afetar mais, segundo a pesquisa, o custo das grandes empresas. Entre os entrevistados, 42% das grandes disseram que seus custos vão aumentar muito, enquanto 33% das pequenas e médias empresas acreditam que acontecerá o mesmo com elas.
Para 70% das pequenas e médias e para 78% das grandes, o aumento de custos será repas sado de forma parcial aos preços. Sessenta e seis por cento das grandes empresas, disseram que os custos serão assimilados por meio da redução de custos e aumento de produtividade, enquanto para 12% pretendem reduzir a lucratividade. Entre as pequenas, a proporção dos que esperam perda de lucratividade, aumenta para 30%. A intenção de repasse integral de custos é bastante baixa: 14% nas pequenas e médias e 10% nas grandes.
Insumos- A pesquisa industrial da CNI indica também que a participação de insumos importados deve cair mais nas grandes empresas nos próximos seis meses. O uso desses componentes é menor nas pequenas e médias, sendo que 30% delas não utilizam insumos importados. Entre as pequenas e médias 43% pretendem manter inalterada a participação dos importados nos insumos totais que utilizam e 25% pretendem substituí-los por insumos domésticos. As grandes empresas afirmaram também que farão uma substituição maior dos insumos importados, sendo que 57% declararam a intenção de mudança de fornecedor.
Com relação a redução na concorrência com os importados, a resposta dos empresários difere, quando questionados sobre a mudança no mercado de seu setor de atuação com o encarecimento dos produtos estrangeiros. Isto porque, 27% das pequenas e médias empresas entrevistadas disseram não sofre r concorrência com os importados.Mas 40% dos entrevistados acreditam que a concorrência deverá diminuir. A maioria dos líderes das grandes empresas acredita que a concorrência vai diminuir, sendo que para 13% a redução será grande.
Expportação - O impacto esperado da desvalorização sobre as exportações é maior sobre as grandes empresas, segundo a pesquisa. Noventa e cinco por cento das grandes empresas esperam aumentar suas exportações, sendo que 25% delas acham que será um grande aumento. Entre as pequenas e médias 79% esperam aumentar a exportação, sendo que 31% que não exportam disseram que pretendem exportar a partir de agora.


