Empresários vêem posição intransigente entre europeus
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 24 (AE) - A posição intransigente dos países da União Européia deverá dificultar o avanço das negociações para a criação de uma zona de livre-comércio durante a Cimeira, acreditam alguns empresários ligados ao comércio exterior. Os principais produtos da pauta de exportações brasileira estão sujeitos a restrições pesadas para entrar na Europa.
Dificilmente a balança comercial entre Brasil e países europeus, segundo eles, chegará ao equilíbrio a curto ou médio prazo, sem uma mudança de atitude por parte daqueles governos.
Caso permaneça a posição intolerante, os europeus acabarão contribuindo para distanciar esses mercados, e não aproximar, avalia o presidente da Coimex, Antonio José Louçã Pargana. Isso, segundo ele, poderá até levar a uma aproximação entre Brasil e Estados Unidos. "Os governos europeus estão, na verdade, dando uma grande contribuição para a constituição da Alca", diz, referindo-se à área de Livre Comércio das Américas.
Para o presidente do conselho de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, a razão do desequilíbrio da balança comercial é o protecionismo. Ele contesta o argumento de que isso ocorre porque a pauta de exportações brasileira é pobre, de produtos com baixo valor agregado.
"Se fosse verdade, a pauta para os EUA seria igualmente pobre", argumenta, contando que os produtos mais exportados para os EUA são calçados e aviões.
A UE, segundo ele, impõe barreiras para muitos produtos brasileiros - têxteis, açúcar e carnes entre eles. Até as compras de café são discriminadas, já que existe interesse em beneficiar antigas colônias da áfrica. Furlan, que dirige o Departamento de Comércio Exterior da Fiesp, conta que a UE gasta US$ 175 bilhões ao ano em subsídios, principalmente para a agricultura.
O consultor Edson Vaz Musa, ex-presidente da Rodhia, não acredita que os europeus deixem de proteger a produção local tão cedo. Países como França, diz, consideram subsídios como política social. Musa acha que os exportadores brasileiros abandonaram o mercado europeu em benefício do doméstico.


