Empresários vão discutir políticas setoriais
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Suzana Santos e Irany Tereza 
Rio, 22 (AE) - Empresários do Brasil e da Argentina vão promover uma reunião em Montevidéu, em março, para discutir políticas setoriais capazes de atenuar os impactos da desvalorização do real sobre o comércio entre os dois países. O subsecretário para Assuntos de Integração do Ministério de Relações Exteriores, Luiz Alfredo Graça Lima, embora afirme que o governo "não irá favorecer ou estimular acordos setoriais", declarou que não haverá interferência governamental na negociação dos empresários.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Fernando Bezerra, um dos representantes do Brasil na mesa de negociações, acredita que é muito cedo para analisar a necessidade de acordo em todos os setores, já que a valorização cambial do dólar sobre o real ainda não está definida. "Somente dentro de 60 ou 90 dias poderemos ter uma idéia da estabilização do câmbio", afirma Bezerra. Os argentinos reivindicam, pelo menos, normas para o setor têxtil, alimentício, calçadista e automobilístico.
Para Lima, medidas de auto-restrição na entrada de produtos brasileiros na Argentina, mesmo setoriais, podem significar o agravamento do desemprego no Brasil já que, uma das alternativas para o País vencer a crise é a elevação da capacidade de exportação. Além disso, ele argumenta que medidas restritivas afetam o conceito de livre-comércio.
O empresário argentino Jorge Basso Dastugue, do Conselho Executivo da União Industrial da Argentina (UIA), argumenta que ainda não existem dados concretos que reflitam um desequilíbrio comercial causado pela desvalorização.
Dastugue acredita que apenas sejam necessários dois meses para reunir dados suficientes sobre este impacto. Segundo ele, na reunião de Montevidéu serão discutidas medidas como sistema de cotas de exportação, balizamento de preços e um acordo de complementação industrial.
Outra medida que pode ser negociada é a busca conjunta dos dois países por novos mercados. Ele lembrou que, em um primeiro momento, todos os acordos devem ser resolvidos setor a setor, entre os empresários.
Alberto Alvarez Gaiani, presidente da UIA, assegura que a indústria argentina não pretende quebrar o acordo do bloco econômico. "Em nenhum momento pensamos em promover o retrocesso do Mercosul", disse, insistindo na adoção de medidas setoriais de monitoramento do comércio.
O vice-presidente da CNI, Oswaldo Moreira Douat, defende a negociação caso a caso e não o estabelecimento de normas gerais. "Queremos o consenso setorial, discutindo qualquer tema sobre dados concretos e que possamos avaliar com segurança", afirmou. "Não se pode tratar assuntos assim em cima de números amplos, tem de se deter a detalhes setoriais", comentou.
A possível dolarização da economia argentina não assusta
a princípio, empresários nem do lado brasileiro nem do argentino. Douat argumenta que, na prática, o comércio entre os dois países já é feito sobre este parâmetro. "A economia argentina, na verdade, já está dolarizada e somente não usa o mesmo padrão dos Estados Unidos", comentou.
Segundo ele, com a paridade de um a um entre as moedas argentina e norteamericana, uma futura dolarização não traria mudanças na atual política comercial. As alterações poderiam vir a longo prazo, mas ele disse que ainda não sabe avaliar as futuras consequências. "Para nós, industriais, o reflexo imediato seria o de utilizar o dólar em vez de um peso atrelado a ele.


