Empresários têxteis de Brasil e Argentina próximos de solução
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 18 (AE) - Após nove meses de intensos conflitos comerciais, os setores têxteis do Brasil e da Argentina estão próximos de um acordo.
Empresários dos dois países reuniram-se nesta terça-feira (18) em Buenos Aires, onde discutiram a possibilidade de que o Brasil faça um tipo de auto-restrição para suas vendas na Argentina por um período determinado.
Este período serviria para que as indústrias argentinas se modernizassem, e equiparassem sua competitividade com as brasileiras. "Isto vai dar tempo que as empresas argentinas se especializem", declarou a secretária de Indústria e Comércio da Argentina, Debora Giorgi. Segundo ela, ambos governos pretendem dar um "enquadramento institucional" para poder monitorar os acordos entre os setores privados, que teriam como instrumentos acordos sobre os preços ou cotas.
"O Brasil vai analisar a solicitação argentina", declarou Paulo Skaff, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT). No entanto, Skaff retrucou os pedidos argentinos de uma cota para a entrada de têxteis brasileiros no país, alegando que as cotas estabelecidas no ano passado representavam somente 0,02% do consumo de produtos têxteis de algodão na Argentina.
O empresário sustentou que estava otimista por um acordo, e afirmou que os setores dos dois países devem se aliar contra a concorrência de fora do Mercosul. "O que preocupa de verdade são os produtos asiáticos", disse.
Referindo-se às negociações, o presidente da Federação Argentina de Indústrias Têxteis (FITA), Alejandro Sampayo, declarou que existem empresas e empregos argentinos em jogo. Segundo ele, "o Brasil nunca cedeu no Mercosul. A Argentina sempre".
Giorgi estará amanhã em Brasília para discutir os "setores sensíveis". Na segunda-feira que vem, técnicos da ABIT e da FITA se reunirão em São Paulo: a intenção é anunciar um acordo na quarta-feira. Este anúncio teria um impacto político: na quinta começa a reunião bilateral de ministros da Fazenda Brasil-Argentina, e um acordo entre os empresários têxteis seria um sinal de que o relançamento do Mercosul começou com o pé direito.


