Rio, 29 (AE) - Empresários brasileiros e argentinos voltaram a recomendar a adoção de acordos setoriais como solução para os atuais conflitos comerciais entre os dois países. Em um documento assinado hoje pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a União Industrial Argentina (UIA), o setor destacou a necessidade de os acordos serem utilizados temporariamente até que os governos possam encontrar soluções para desequilíbrios macroeconômicos. "O uso desses mecanismos tm de ser mesmo temporário, senão há retrocesso para o Mercosul", afirmou o presidente do Conselho de Integração Internacional da CNI, Osvaldo Moreira Douat.
A carta de intenções cria uma agenda de trabalho baseada em três pontos: a busca de acordos empresariais; medidas de facilitação de negócios; e o cumprimento da agenda pendente do Mercosul, que inclui o seu aprofundamento e uma coordenação macroeconômica para o bloco.
Entre as medidas que serão estudadas pelos técnicos dos quatro países do Mercosul estão a identificação de mecanismos que melhorem as condições de comércio no bloco. Alguns dos pontos fundamentais apontados pelos empresários são a simplificação dos documentos exigidos pelos governos para o comércio exterior, o funcionamento contínuo das alfândegas e o treinamento conjunto dos agentes das áreas aduaneiras.
O presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, destacou também a necessidade de o bloco reforçar seus instrumentos de solução de controvérsia, para que questões setoriais possam ser solucionadas mais facilmente pelas indústrias locais. "Esse mecanismo é muito usado em blocos mais avançados, como na Europa", afirmou o executivo.
Segundo o presidente da UIA, Osvaldo Rial, os quatro governos do Mercosul precisam avançar na coordenação de medidas macroeconômicas e de conjuntura, para evitar problemas como os ocorridos após a desvalorização cambial brasileira em janeiro deste ano. Rial afirmou ainda que o setor privado também precisa participar desse movimento, enviando sugestões para diminuir conflitos bilaterais.
Os dois presidentes de entidade de classe ressaltaram a necessidade de os países solucionarem os atuais conflitos para que possam entrar coesos nas negociações, em novembro, da área de Livre Comércio das Américas (Alca) e, a partir de dezembro, da Rodada do Milênio promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC). "A resposta para a crise no Mercosul é mais Mercosul", afirmou Rial.
O presidente das indústrias argentinas informou que foi marcada para outubro uma nova reunião entre os quatro parceiros do bloco para discutir os temas levantados no documento assinado hoje. "Uruguai e Paraguai são nossos parceiros e precisam ser ouvidos em todas as questões", disse. "Ficou claro nos últimos anos que o Mercosul é importante para todos os seus membros", complementou Moreira Ferreira.

mockup