Empresários retomam discussão em novembro na Alemanha
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Rolf Kuntz 
Rio, 29 (AE) - Empresários da Europa e do Mercosul deverão retomar em novembro, na Alemanha, as discussões sobre um acordo comercial entre os dois blocos. Na reunião anterior do Fórum Empresarial Mercosul-União Européia, em fevereiro, no Rio, os dois lados indicaram suas pretensões e formaram três grupos de trabalho bilaterais para discutir acesso a mercados, condições de investimento e participação no mercado de serviços. Esses debates são extra-oficiais e podem servir de orientação para as negociações diplomáticas.
Os europeus manifestaram interesse especial em maior participação nos mercados de produtos químicos, de bens de capital e de telecomunicações. Reivindicaram reduções de tarifas e, além disso, acesso aos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O acesso valeria tanto para indústrias estrangeiras em operação no Brasil quanto para empresas que exportam para o País. Os europeus defenderam também maior abertura das compras governamentais.
Não há interesse brasileiro em apressar as negociações nessas áreas enquanto faltar uma clara determinação européia de liberalizar o comércio de produtos agrícolas e agroindustriais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sintetizou em dois pontos os principais objetivos brasileiros nas negociações com a União Européia: 1) eliminar progressivamente as barreiras tarifárias e não-tarifárias prejudiciais a exportações do Brasil; 2) criar mecanismos para isolar o País de novas investidas protecionistas. São interesses partilhados pelos países do bloco sul-americano e reafirmados na reunião do Grupo Mercado Comum do Mercosul, no mês passado, em Assunção.
Diplomatas brasileiros deram menos ênfase, nos últimos dias, à questão do protecionismo agrícola europeu. O tema foi lembrado hoje duas vezes. A primeira referência foi na entrevista do empresário Roberto Teixeira da Costa, representante brasileiro no Fórum Mercosul-União Européia. Não há espaço para novas concessões comerciais do Mercosul, segundo ele, sem o compromisso europeu de maior abertura para produtos agrícolas e agroindustriais.
A segunda foi na entrevista do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele entrou no assunto depois de tê-lo contornado, durante algum tempo, com observações gerais sobre a importância do acordo entre sul-americanos e europeus. "Se tivermos a possibilidade de maior acesso aos mercados europeus de produtos agrícolas, haverá impacto imediato para a renda das populações mais pobres da região."
Há interesse em aumentar também a exportação de manufaturados. Esses correspondem a 90% do valor das exportações brasileiras para o Mercosul e a 81% das vendas destinadas a toda a região da Alca, mas somente a 38% do total embarcado para a União Européia. O Brasil exporta para o mercado europeu principalmente produtos básicos e semi-manufaturados de pequeno valor agregado. Isso torna esse comércio, segundo análise da CNI
"bastante vulnerável à variação dos preços internacionais de commodities". Esse quadro resulta em grande parte, de acordo com a mesma análise, de mero desperdício de oportunidades comerciais.


