Rio, 21 (AE) - Os cerca de quarenta empresários europeus que participam do encontro entre Mercosul e Europa, iniciado hoje, no hotel Copacabana Palace, defendem uma maior abertura entre os dois mercados e esperam sair da reunião com a definição de regras claras para que isso aconteça. Segundo eles, a integração deve atingir, além do comércio, os sistemas tecnológicos, e ampliar as oportunidades de participações de empresas em privatizações no Mercosul.
O representante do Banco de Comércio da Alemanha, Klaus Peter Muller, chegou a defender a transferência para a iniciativa privada da responsabilidade de cuidar do meio ambiente, ao comentar a necessidade de ampliação das privatizações. "Temos muitas empresas especializadas em controle ambiental na Alemanha", citou Muller. Segundo o banqueiro, a conferência seráa oportunidade de tornar os investimentos mais fáceis entre os dois mercados.
O presidente do Banco Português de Investimentos e ex-ministro da Indústria e Energia de Portugal, Luis Amaral, afirmou que ainda há muitas barreiras a serem eliminadas no Mercosul. "É um bloco mais fechado do que a União Européia, mas é natural, porque começamos a integração há mais tempo", afirmou Amaral. O representante português disse que a esperança dos empresários europeus é sair do encontro com "um conjunto de documentos que sirva de orientação para que os dois blocos trabalhem para facilitar a integração econômica".
O representante da Telefônica de Espanha, Manoel Gascon, afirmou ser preciso que o Mercosul aplique regras da União Européia em relação à privatização, à abertura de mercado, à transmissão de informação e ao turismo. Gascon, cuja empresa é a companhia européia que mais investe no Mercosul, disse que a principal dificuldade para a integração dos quatro países do mercado latino-americano é a história. "A história dos países sempre teve fronteiras e barreiras", afirmou. "No caso da União Européia, foi mostrado que isso não funcionou." O presidente do Conselho Executivo de Diretores da Basf, Juergen Strube, disse que o livre comércio não vai ser o único tema de interesse dos empresários europeus. "Queremos discutir alternativas como, por exemplo, a integração de sistemas tecnológicos que serão usados no Brasil", afirmou Strube, que representa, no evento, a Unice, uma associação de empresários da União Européia.
Tanto Muller quanto Amaral e Gascon confirmaram o interesse de seus países em continuar a investir no Brasil, apesar das dificuldades econômicas. "No caso da Telefônica, há uma aposta claríssima no futuro", disse o representante da empresa espanhola. No entanto, ele afastou a possibilidade de a empresa aumentar o uso de componentes brasileiros nos seus equipamentos, apesar da desvalorização do Real, que tornou mais caras as importações. A razão, segundo Gascon, é que o parque industrial brasileiro simplesmente não consegue abastecer toda a demanda por telefones que existe no País.

mockup