São Paulo, 23 (AE) - Empresários do setor planejam entrar com mandados de segurança para garantir o funcionamento dos bares depois de 1 hora. Além disso, devem reunir-se com o prefeito Celso Pitta (sem partido) para tentar evitar a sanção. "Nosso mandato de segurança será baseado no fato de a ingerência sobre os estabelecimentos comerciais caber ao Estado", explicou o diretor-jurídico do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo, José Francisco Vidotto.
A Associação de Bares e Restaurantes Diferenciados (Abredi), de acordo com o presidente de seu Conselho Deliberativo, Percival Maricato, vai partir do princípio de que o Município não pode definir o horário de funcionamento. "No caso dos bancos, por exemplo, a cidade não pode mudar o horário, somente o governo federal", explica Maricato. Vidotto faz uma análise bastante pessimista para o País, caso a lei seja sancionada. "São Paulo é um exemplo para o Brasil e, se isso pegar, vai acabar atingindo todo o Brasil", acredita. "Com isso, poderá haver entre 7 milhões e 8 milhões de desempregados a mais no País".
Na capital paulista, ele acredita que a lei vá prejudicar cerca de 120 mil trabalhadores diretos, sem falar em fornecedores. "O vereador sonhou com esse projeto, mas não procurou respaldo", afirma. "Se o que ele quer é fechar bares, não precisa preocupar-se porque se a crise continuar, em um ano, mais da metade já estará fechada". Os números da Abredi para o desemprego são um pouco diferentes. porque a entidade só congrega bares e restaurantes, excluindo padarias, bares da periferia, lanchonetes e distribuidores de bebidas. As estimativas da associação ficam entre 20 mil e 30 mil desempregados. Turismo - A pretensão de a cidade tornar-se a capital do Mercosul pode ser afetada pela medida, acredita Vidotto. "São Paulo é conhecida mundialmente pela vida noturna", diz. "A madrugada gera também movimento durante o dia e a soma responde por 60% da renda do turismo". De acordo com Maricato, pesquisas recentes realizadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que a vida noturna e a gastronomia são as atividades mais procuradas e com maior índice de aprovação entre os turistas que vêem à cidade.
Maricato não acredita que todas as perdas econômicas que o setor deve ter realmente ajudem a resolver o problema da violência na cidade. "Os jovens, que não vão dormir por decreto
vão procurar qualquer espelunca e correr muitos riscos". Para ele, a Prefeitura está fugindo de suas responsabilidades. "Eles estão aproveitando o quase desespero da população com relação à falta de segurança para propor uma medida superficial". Pitta - Para o prefeito Celso Pitta, o fechamento de bares em horário determinado é de interesse da maior parte da população, a despeito do desemprego que possa ocasionar. "Temos de ver o que é prioritário para a cidade como um todo", disse. "Se a manutenção de um número de empregos que vai privilegiar um quantitativo ou a melhoria da segurança que vai beneficiar a maioria". (Andréa Portella e Jobson Lemos, especial para a AE)

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