Campinas, SP, 30 (AE) - A polícia de Campinas pretende pedir a prisão preventiva dos proprietários da empresa norte-americana Intercontinental Development Incorporation, acusada de aplicar um golpe de pelo menos US$ 5 milhões em empresários brasileiros. As vítimas alegam ter pago antecipadamente o seguro em transações de empréstimos com a companhia, que desapareceu com o dinheiro. A maior parte das empresas lesadas atua na região de Campinas.
O delegado do 4º Distrito Policial em Campinas, Claudio Alvarenga, responsável pelo inquérito, conta que a Intercontinental atraia os empresários com a oferta de intermediação para obtenção de empréstimos a juros baixos no exterior. "Em determinado momento, a companhia exigia um depósito antecipado a título de seguro da transação", diz. As vítimas ficavam sem a quantia paga e nunca recebiam o empréstimo.
"Queremos resgatar nosso dinheiro", diz o advogado Guilherme Augusto Faria de Barros. Em setembro de 1996, ele firmou um contrato de empréstimo com a Intercontinental para captação de US$ 5 milhões. O dinheiro, segundo ele, seria usado para dar maior fluxo de caixa a sua empresa de construção civil em Campinas, a F. Barros Incorporações. Barros pagou US$ 70 mil de seguro pela transação, mas não recebeu o empréstimo nem o dinheiro pago como garantia.
Foram indiciados o presidente da Intercontinental, Boris Czkadua, um russo naturalizado norte-americano; e os brasileiros Luiz Gonzaga Pinto, vice-presidente da empresa; Norberto Sebastião Pastore Miccolis, sócio da da companhia; e José Eduardo Franco Salgado, que atuava como intermediário em Campinas. "Aguardamos apenas a chegada das cartas precatórias para depois pedirmos a prisão preventiva dos acusados", diz o delegado.
A Intercontinental, que firmou contratos semelhantes com 15 empresas da região de Campinas e outras treze no Estado, conta com um escritório de representação em São Paulo, na rua D. Maria Paula, 123, 6º andar, conjunto 63. A empresa, porém, não possui CGC nem registro no Banco Central. O presidente da empresa, o vice e o intermediador em Campinas, atualmente moram nos Estados Unidos. Segundo as vítimas, Czkadua, mora num luxuoso hotel em Beverly Hills. "No início, chegamos a pedir a prisão temporária de três envolvidos, mas a justiça negou por falta de provas", diz o delegado. Agora, porém, segundo Alvarenga, o inquérito conseguiu reunir provas suficientes para conseguir a prisão preventiva dos acusados. "Esperamos conseguir isso nas próximas semanas", disse o policial.

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