Buenos Aires, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu-se com representantes do empresariado argentino e brasileiro antes de encontrar-se com o presidente Carlos Menem. No encontro, realizado na embaixada brasileira, os integrantes do Conselho de Empresários Latino-americanos (CEAL), entregaram ao presidente um documento onde pediram que seja feita uma "reengenharia" do Mercosul para acelerar o processo de integração. Entre os empresários estiveram os brasileiros Roberto Teixeira da Costa, Luiz Furlan, Daniel Klabin, e Roberto Gianetti da Fonseca. Do lado argentino estiveram Carlos Bulgheroni, Salvador Carbó e Augustino Rocca.
Teixeira da Costa, do Banco Sul-América, afirmou que pela primeira vez os empresários colocam o assunto em discussão e sentem que não há uma resposta negativa do governo. Segundo ele, o anúncio feito hoje por Menem e FHC corresponde à uma nova fase do Mercosul, "de dar um novo pulo, onde não se comprometerá o bloco comercial com iniciativas que possam complicá-lo mais tarde".
Tanto Teixeira da Costa como outros empresários destacaram a necessidade de acelerar o processo de integração. Furlan, presidente da Sadia, declarou que "o Mercosul avançou muito no discurso e pouco na prática".
Os anseios empresariais foram sintetizados em um documento onde solicitam a FHC que sejam implementados rapidamente mecanismos de solução de controvérsias no Mercosul, seja através de um tribunal arbitral ou pelo estímulo à solução privada de contenciosos. Outro ponto requerido pelos empresários é a redução dos procedimentos burocráticos ao comércio de bens, e à eliminação do que denominaram de "constragimento fitossanitário ao comércio intrarregional", através da criação de um órgão de controle e inspecção supranacional. Os empresários também pediram uma solução definitiva para o regime automotivo no Mercosul e que este seja uma prioridade "política".
No documento, cujo título é "Pelo Mercosul", os empresários argentinos e brasileiros pedem a utilização de mecanismos de financiamento à produção que redundem em maiores facilidades ao comércio intra e extra-Mercosul.
"Os empresários hipotecaram um apoio irrestrito ao Mercosul" declarou à imprensa brasileira o secretário-geral de Assuntos de Integração Econômica e de Comércio Exterior, José Alfredo Graça Lima. O secretário, que participou das conversações do governo brasileiro com o governo argentino, disse que Menem e FHC fizeram uma análise de que não ocorreu a temida "invasão de produtos brasileiros" na Argentina, por causa da desvalorização do real. Segundo Graça Lima, "houve inclusive queda tanto nas importações como exportações dos dois países".
O secretário também comentou o anúncio de Menem e FHC sobre a necessidade de criar um "pequeno Maastricht" do Mercosul: "É um elemento novo, que os presidentes comentaram inesperadamente, e que revela uma disposição mútua de complementar os acordos feitos pelo bloco comercial para levar a coordenação para outras áreas macro-econômicas como o câmbio". Graça Lima sustentou que ainda há prazos para o "Maastricht do Cone Sul", mas que já está sendo dado um passo importante pelo "engajamento" que os dois países estão tendo para "a aprovação de uma disciplina fiscal maior".
Graça Lima também comentou o projeto de dolarização especulado pelo governo argentino nos últimos meses mas cuja possível aplicação Menem minimizou no encontro com Fernando Henrique. Segundo o secretário, a dolarização da Argentina seria "nefasta para o Mercosul", já que "significaria um choque para qualquer regime cambiário comum e a impossibilidade de criar uma moeda única".

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